A Paciência

Por: Padre Nicolás Schwizer

O curioso é que na Bíblia esta palavra se refere, antes de tudo, a paciência de Deus para conosco. Deus tem paciência com os homens e mulheres que criou. Ele tolera seus defeitos e permite que o gênero humano siga povoando a terra apesar da sua má conduta.

É o Espírito Divino, paciente conosco, quem vem agora a nós. E d`Ele nos toca aprender para ter com os demais a mesma paciência que Ele tem conosco. O livro dos Provérbios nos ensina: “Mais vale um homem paciente que um herói, um homem dono de si mesmo, mais que um conquistador de cidades” (16,32). São Paulo, em suas cartas, insiste uma e outra vez nessa virtude fundamental da paciência. Convida-nos a revestir-nos de sentimento de paciência, suportar-nos uns a outros com amor, perdoar-nos mutuamente (cf. Col 3,12s; Efes 4,2; 1 Tes 5,14; 1 Cor 13,4).

Todos passam a seguinte experiência: Quanto mais perto vivemos de uma pessoa, mais aumentam os atritos, os aborrecimentos, atitudes que irritam. Pensemos em nosso cônjuge, nossos filhos, parentes que vivem em nossa casa, companheiros de trabalho e amigos. Mantém-se a relação sincera e o afeto básico a outra pessoa, porém diminui o brilho da estima permanente com o desgosto diário.

Muito se pode fazer para suavizar atritos e facilitar a convivência: dialogar, abrir-se, corrigir-se e aceitar-se. Muito se pode fazer, mas tudo isso há de ir sobre o fundamento essencial de paciência, de tolerância, de pura e simples aceitação humana. Porque no fundo todos sabem que a situação nunca vai ser a ideal, nem em nós mesmos nem nos demais.

E o que temos que fazer, por isso, é sobrelevar as inevitáveis contrariedades com resignação antecipada.

As coisas levam tempo. Os frutos amadurecem devagar. A natureza segue seu ritmo, e as estações não podem acelerar-se. E o mesmo acontece na colheita do Espírito. Faz falta tempo. Faz falta paciência. Espírito Santo converta-nos, mesmo que seja aos poucos, em mestres da paciência.

Paciência para escutar aos demais
Todas as pessoas que nos rodeiam, são cada uma um anjo de Deus que nos traz uma mensagem Sua. Como mantenho a atitude de escuta frente a essa palavra de Deus que me vem através do outro? Ele ou ela é palavra de Deus para mim em primeiro lugar através de seu amor, mas também através de seus desejos, suas necessidades, suas penas. Tudo é palavra de Deus que me está chamando: Seus gestos de amor me chamam a agradecer, seus desejos e necessidades a atendê-lo, suas penas para aliviá-las e compartilhá-las.
Porém, escuto essas palavras de Deus que me vêm através dos demais? Deus quer me dizer algo! E quando sinto que existe algo de Deus no que me diz o outro, o acolho, abro o coração, para que essa palavra encontre morada em mim?
Há que escutar ao ouro, mas também há que falar ao outro. Existem momentos em que Deus quer falar ao outro através de mim. E então é um dever, falar. É um dever, dialogar. Então eu sou uma palavra para o outro, que ele necessita escutar para crescer. E se não falo com ele, estou negando-me a ser palavra de Deus, Boa Noticia, Evangelho de Deus para o outro.

Perguntas para a reflexão

1.    Considero-me uma pessoa paciente? Como os demais me vêm neste aspecto?
2.    Tenho momentos de oração para escutar o que Deus me diz através dos acontecimentos e das pessoas?
3.    Escuto com essa atitude de alegria cada vez que o outro abre a boca?

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