A família parece com um sistema vivo?

Por: Ricardo Romeo Ramírez S. (psicólogo)

Na escola, nos ensinaram que todos os seres vivos têm um ciclo de vida que consiste em nascer, crescer, reproduzir-se e morrer. A mesma coisa acontece tanto com uma ameba, como com um elefante, tanto com uma flor como com um escaravelho. É um processo natural, que permite o desenvolvimento e perpetua a espécie.  

Um entomólogo se interessará em conhecer o ciclo de vida das diferentes espécies de insetos; um biólogo marinho fará o mesmo com as espécies que vivem nos mares; um botânico tratará de conhecer como acontece o nascimento, crescimento, reprodução e morte das diferentes espécies de plantas.

Graças a este ciclo vital, a esta seqüência de vida, é que cada organismo permanece neste mundo. Depende do que tenha acontecido nas fases prévias, do estado que tiverem as coisas no futuro.

Do ponto de vista do dr. Lauro Estrada, a família também pode ser considerada como um sistema vivo – de fato, em muitos lugares, é denominada “célula da sociedade” – e poderíamos dizer que passa pelas mesmas fases pelas quais um organismo atravessa. Neste caso, tal ciclo abrange as seguintes seis fases:

1. O desapego
2. O encontro
3. A decisão de ter filhos e a chegada dos mesmos
4. A adolescência dos filhos
5. O reencontro do casal
6. A velhice

Em cada uma destas etapas, o núcleo familiar sofre modificações e deve se adaptar a elas e, do mesmo jeito que qualquer outro organismo, pode fazê-lo de forma sadia ou patológica. Assim, é de grande importância conhecer detalhadamente as características de cada uma destas fases e adquirir plena consciência das possibilidades de melhoramento das condições internas do sistema familiar.

Cada um de nós pode pertencer a duas distintas famílias: a família de origem e a família que formamos com nossa(o) esposa(o) e filhos. Cada uma delas teria de passar pelas seis etapas mencionadas anteriormente. A pergunta é: “Até que ponto conhecemos este ciclo vital?”. Assim como o entomologista, o biólogo marinho ou o botânico, deveríamos nos preocupar com conhecer como nasce uma família, o que precisa para crescer sadia e forte, como evitar que murche antes de dar frutos ou, uma vez que tenha dado, que suas raízes permaneçam unidas e robustas. Existem muitos fatores que influenciam no ciclo vital de uma família. Por exemplo: por que escolhemos como parceiro(a) determinada pessoa?. Por que às vezes nos custa tanto trabalho o desapego de nossa família de origem?. O que reaviva em nós a adolescência de nossos filhos?. Quando os filhos  começam a formar suas próprias famílias, como isto repercute nos pais que, pouco a pouco, vão ficando sozinhos, com o “ninho vazio”?.

Poderíamos encher várias páginas com perguntas e, mesmo assim, muitas ficariam de fora. Por agora, somente gostaria de semear nos leitores a imagem mental desta família como algo parecido a um organismo vivo, que nasce, cresce, se reproduz e “morre”(?).

Bibliografia:

EL CICLO VITAL DE LA FAMILIA;
Lauro Estrada Inda; Edit. Posada, 3a. ed., México, 1989.
LA PERSONA.
Su desarrollo a través del ciclo vital; Theodore Lidz; Edit. Herder, 3a. ed., Barcelona, Espanha, 1985.


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