A importância da auto-estima nas crianças

Por: Gabriela Córdova Olguín (psicóloga)

Uma das necessidades básicas do ser humano é sentir-se bem consigo mesmo. A maneira como uma pessoa se sente bem é fixada desde a infância e se chama AUTO-ESTIMA.

Para chegar à satisfação pessoal e a desfrutar a vida, é preciso contar com uma auto-estima, isto somente será possível se a pessoa se aceitar com as falhas e os defeitos que possa ter.

O maior presente que um pai pode dar a um filho é ajudá-lo a ter uma alta auto-estima, desta maneira, estará ajudando-o a ter confiança no que pode fazer, a estar entusiasmado por aprender coisas novas todos os dias, a ter uma vida social aceitável e satisfatória e, sobretudo, a poder desfrutar aquilo que faz.

Ao contrário, quando a auto-estima for baixa, a criança não conseguirá se desenvolver adequadamente em nenhum ambiente, não será capaz de desfrutar suas atividades e começará a ter um sentimento de inferioridade que, futuramente, vai procurar compensar unicamente criticando às outras pessoas. A criança com uma baixa auto-estima torna-se sensível a qualquer comentário, preocupa-se demais pelo que os outros pensam dela e perde todo o interesse naquilo que deve fazer.

No transcurso de seu desenvolvimento, a criança vai tendo experiências prazenteiras e satisfatórias, e outras dolorosas e carregadas de ansiedade. A manutenção da auto-estima positiva depende da integração exitosa das imagens de si mesma, tanto positivas como negativas, isto é, de se sentir boa em alguns momentos e má em outros, mas – acima disto – poder se sentir valiosa, o que fará a criança mais ou menos impermeável aos erros, às falhas, às frustrações e à crítica externa.

Como pais, devemos saber que existem certas condições que ajudam a criança a sentir-se bem:

•    Aceitação: este ponto é fundamental. O principal neste ponto é a aceitação da criança pelos pais, assim como ela é, com suas qualidades e defeitos. A criança vai crescendo e a sua auto-imagem vai sendo formada através do que dizem dela e de como é tratada pelas pessoas que a rodeiam. Se tratarem bem, então sentirá que vai poder ser uma pessoa valiosa; caso contrário, se disserem que é inútil, feia ou que perturba, então crescerá com a idéia de que é uma pessoa que não merece nada e que não é importante para os outros.

•    Respeito: esta característica tem vital importância e se associa com os valores que atualmente repercutem em nossa sociedade. Quando os adultos gritam para as crianças, zombam delas ou mandam calar a boca, dizendo que não sabem o que estão falando, os pequenos podem reagir agredindo outras crianças, discutindo, ou (ao contrário) se tornarem tímidos e ao longo da vida acharem natural que outras pessoas os tratem da mesma maneira em que foram tratados na infância.  

•    Limites: é importante estabelecer limites para a criança, porque servem de guia para saber o que se espera dela. Assim, pode saber o que acontece se desobedece as regras e as conseqüências que isso traz, e se sentirá mais segura. Sem limites, o pequeno não tem como saber se está agindo bem ou não. A maneira em que se pede que a criança cumpra as regras é muito importante, se for com carinho e firmeza, ela reagirá com satisfação, no entanto, se for de um modo muito duro e sem carinho, tratará de não obedecer.

•    Apoio: cada criança deve aprender aonde quer chegar e tomar suas próprias decisões, ou seja, estabelecer metas e cumpri-las. Quando ela sabe o que quer fazer, como pode conseguir e o que falta para chegar lá, dirige todo seu esforço a esse alvo e sente muita satisfação ao atingi-lo. Isto se consegue pouco a pouco, com a ajuda dos pais, deixando que a criança escolha, por exemplo, seus artigos escolares, sua roupa, atividades e conhecimentos, gostos, etc. É diferente apoiar e superproteger, no segundo caso os pais solucionam todos os problemas da criança, falando por eles, inventando pretextos para cobrir seus defeitos, justificando seu comportamento... Assim, os pequenos ficam cada vez mais dependentes de uma pessoa que resolva seus problemas, ficando em desvantagem em relação às outras crianças porque não se desenvolvem e não encontram as próprias respostas para ir crescendo como seres humanos.

Demos a nossos filhos a possibilidade de ser e se sentir bem com eles mesmos e isto contribuirá para que se valorizem e valorizem o que fazem, pensam e sentem, somente valorizando-se, poderão valorizar os outros, e tudo isto levará a um futuro com melhores desempenhos profissionais, melhores relacionamentos e divertimentos que os enriqueçam como seres humanos. Se os pais quiserem que a criança seja capaz de enfrentar os problemas com confiança, poderão ajudá-la não dizendo o que devem fazer e como podem conseguir chegar às suas metas.  

Cada vez que a criança atingir suas metas, se sentirá mais segura, com mais confiança, além de se tornar mais independente; isto fará com que volte a tentar novos objetivos e sua auto-estima crescerá.


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