Narcisista, eu? Paola Lanz Jiménez


Os rasgos narcisistas estão em qualquer pessoa, pois todos gostamos receber uma adulação e se nos criticam nos pode doer, mas isto se supera, porque uma pessoa “normal” se recupera e continua adiante. Também, é habitual que alguém se sinta especial porque tem algumas fortalezas e habilidades que o fazem destacar. "Os problemas se produzem quando estes rasgos se agravam e o individuo se sente superior a todos e demanda um reconhecimento constante dos demais", explica Susana Ifland, presidenta da Sociedade Chilena de Psicologia Clínica.

A sugestão de Otto Kernberg sobre o continuo da personalidade narcisista é a seguinte:

A personalidade narcisista se situa em um continuo que vai desde o normal (caracterizado por uma regulação adequada da auto-estima) até o patológico (transtorno narcisista da personalidade). Os indivíduos que sofrem um transtorno narcisista da personalidade precisam se formar um ponto de vista de si mesmos enormemente inflado “idealizado” para manter sua auto-estima e, em conseqüência, aparecem ante os demais como pessoas grandiosas ou hipersensíveis à mais mínima afronta que os demais podem fazer a sua auto-estima. Um dos motivos pelos que o paciente narcisista tem que manter uma visão idealizada de si mesmo é que tem um ponto de vista grandioso sobre o que deveria ser.  A divergência entre “o que realmente é” e o que segundo ele “deveria ser”, lhe conduz a ter sentimentos muito dolorosos de vergonha, humilhação e fracasso.

As pessoas que se situam neste interessante continuo mencionado se comportam de maneira muito diferente. Isto faz que a manifestação dos sintomas seja muito variável. Assim, podemos encontrar desde personalidades funcionais que se encontram relativamente satisfeitas com a sua vida e o seu funcionamento, que não tem consciência de problema e não precisam prejudicar aos demais, até personalidades que passam grande parte do tempo pensando no frustrados que se sentem e em como não tem logrado conseguir nem responder às expectativas que eles mesmos ou outros, têm fixado. Dentro deste continuo é necessário mencionar aos narcisistas psicóticos que se bem podem ser funcionais e se encontrar relativamente satisfeitos com a sua vida, ao mesmo tempo se encarregam de danar a outros.

Assim quando encontramos a pessoas que habitualmente expressam censura ou queixas sobre o que os demais “deveriam ter feito por eles e não o tem feito” ou acerca do “injustamente” tratados que são, podemos pensar na possibilidade de uma base narcisista. Visto assim pode parecer que falamos de pessoas “muito egoístas”, mas a realidade é que:

1. Sofrem muito.
2. Sentem-se muito amargados e frustrados
3. Sua maneira de pensar, de reagir e de se relacionar forma parte de um problema e de uma aprendizagem que habitualmente tem se iniciado na infância
4. Sua necessidade de aprovação e valoração pelos demais provoca uma grande instabilidade emocional, principalmente quando não são reconhecidos pelos outros, ou não na medida em que eles desejam e/ou necessitam
5. Necessitam ajuda profissional para perceber as dificuldades que apresentam.

Masterson (1981) considera que o paciente que manifesta um transtorno narcisista da personalidade parece estar perpetuamente motivado a procurar a perfeição em tudo o que faz, que aspira a conseguir riqueza, poder, beleza e a encontrar a outros que reflitam e admirem sua grandiosidade. Comenta que embaixo desta fachada defensiva se encontra um estado de vazio e raiva no que predomina a inveja. Os que realmente se sentem “grandes” e “superiores”, pois ainda que este outro subtipo de paciente pode efetivamente procurar a outros que “exerçam de espelho” para regozijar-se no maravilhosos que são, não ocultam sentimentos de raiva nem inveja (simplesmente porque estão encantados com eles mesmos). Sentem-se elegidas para estar na cima de qualquer grupo humano ainda que colapsem ante qualquer crítica, guardando fácil rancor para quem se atreve a impugná-los. E ainda que os especialistas advirtam que não é lidar com eles, asseguram que existem formas de manter um bom relacionamento, mas sempre guardando as distancias. Estas pessoas "guiadas por valores positivos podem ser um aporte em cargos de chefatura, assim como no papel de empresários e políticos. O problema se produz quando os move uma ambição exagerada e exercem una influencia negativa na organização".

Quando as coisas vão mal para estas pessoas, alguns se podem deprimir facilmente, ainda que outros transformem o fracasso em raiva e ataquem a seus adversários. Por isso é muito importante que sejam tratados em uma psicoterapia para que dentro de seu processo estejam analisando o porquê de seu atuar e com consciência ir modificando atitudes que não somente os prejudicam; senão que também prejudicam às pessoas que estão ao seu redor como pessoas que estão a seu cargo, parceiro (a), família e amigos.

Bibliografia

Kernberg, O.F. (1975). Borderline conditions and pathological narcissism. New York: Jason Aronson.
Millon, T., Davis, R.D., (1998).Transtornos da Personalidadee. Mais lá do DSM-IV. Masson.