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Alcoolismo na vida Sacerdotal e Religiosa
Por: Eugenia Ponce de León Álvarez
“Quem briga com um ébrio agride um ausente."
Sêneca
A vida Religiosa e Sacerdotal expõe a “reviver” certas situações traumáticas, onde os vínculos próximos com as pessoas são julgados, as atitudes afetivas e as mostras de agrado por amigos (as) são mal vistas, é como se se condenaram de certa forma a viver no isolamento e este estado poderia conectar-se com situações dolorosas de nosso passado.
O fato de “beber” em nossa sociedade é socialmente bem aceitado, ainda que ironicamente o álcool seja a droga mais mortífera que existe atualmente sobre a terra.
Por que repentinamente parece que dentro, a vida religiosa e sacerdotal também é um recurso aonde se recorre? E que deste modo parecesse que é socialmente aceito ao igual que no mundo cotidiano.
A finalidade deste artigo não é julgar se é bem visto ou se a pessoa faz bem ou mal a sua vida, senão mais bem tentar afundar de uma maneira mais profunda, que lhe poderia estar acontecendo ao alcoólico?
Primeiro que nada seria importante definir que significa “ser alcoólico”, se acredita de maneira errada que um alcoólico é quem “bebe”, mas realmente se trata dos efeitos destrutivos e autodestrutivos que como conseqüência de beber, exerce a pessoa a ele mesmo, afetando a terceiras pessoas e a sua vida laboral e comum.
O alcoolismo é um sintoma, nos esta indicando que algo mais profundo ocorre, é um sinal de dor, de sofrimento e que a única forma que encontra para se manifestar, é por meio do álcool, a pessoa não percebe outra solução para lidar com sua dor, sua carência, seu vazio, sua tristeza e, principalmente, sua falta.
Falta de que? De amor, de compreensão, de pertencer, e inclusive de “ser”.
A solução que encontra é com a autodestruição e é por isso que possivelmente no fundo de tudo, se encontra uma pessoa profundamente deprimida, profundamente desesperançada e sem um só motivo talvez para querer viver.
O alcoólico sofre muito, mas às vezes é difícil compreender para a sociedade e, sobretudo, não julgar o que lhe ocorre, já que o álcool atua assim como numa tentativa de anestesiar toda esta dor e ainda que seja por um breve tempo, efetivamente o logra e “não sente” e em cada tentativa que faz por sarar a dor, percebe que não tem sarado e recorre a uma quantidade maior de álcool, acreditando que é a única solução, pois é a única que conhece.
A origem e a causa poderia se dever a múltiples fatores, mas principalmente teria que ver com vivências e experiências traumáticas da vida infantil e ao não perceber e sem sabê-lo durante a vida adulta vivemos experiências que se parecem a “aquilo traumático” e aplicamos as soluções que “conhecemos” ainda que resulte destrutiva o autodestrutiva e que a solução a aprendemos também desde crianças sem perceber.
Em psicoterapia a intenção proporciona novas vias para trabalhar e solucionar a dor e que principalmente a solução resulte adaptativa para a pessoa e deste modo possa encontrar outras formas de “sarar” e poder ter uma melhor qualidade de vida dentro de seu contexto religioso e sacerdotal.
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