Autoridade e obediência

Por: Padre Nicolás Schwizer

Um aspecto prático em nosso caminho rumo a Deus, o constitui uma correta aplicação da autoridade, um aspecto muito afetado pela crise de “Pai” no mundo de hoje, que há provocado uma crise de autoridade em todos os âmbitos.

Conceitos errados de autoridade

Um privilégio. Para muitos a autoridade é simplesmente um privilégio. Tem-se autoridade para proveito próprio. Isto faz que muitos façam todo o possível por chegar ao poder, porque através dele podem dominar aos demais e acumular bens. Antes de chegar ao poder se pode prometer qualquer coisa; depois se mostra o verdadeiro rosto esquecendo as promessas. No âmbito familiar aplica-se o mesmo estilo de autoridade: o pai de família é um senhor que tem todos os direitos e privilégios e os demais membros da casa lhe devem obediência. Este conceito há sido, com certeza, o que mais há contribuído a desprestigiar a autoridade.

Uma carga pesada. Para outros a autoridade é uma carga pesada que se leva de má vontade e exercendo uma espécie de labor policial: é preciso colocar ordem e controlar todas as coisas e pessoas. Tudo deve passar por seu controle pessoal. Fiscalizar, reprimir, ordenar e corrigir parecem ser os termos que contem a autoridade.

Um direito de mandar. Muitos confundem simplesmente autoridade com poder, é dizer, com o direito a dispor de alguém. Pareceria como se a autoridade se confundisse com o poder de mando. A maioria pensa que tem mais autoridade o que mais pode mandar.
O termo autoridade evoca duas coisas para a mentalidade atual: mandar e obedecer. A autoridade aparece como uma limitação da liberdade e por isso se tornou odiosa em nossa época orientada para a liberação.

Conceito evangélico de autoridade: Serviço
Jesus Cristo propõe o assunto de uma maneira diametralmente oposta. Nos diz: “Os que governam as nações as dominam e se fazem chamar benfeitores. Você não devem ser assim... O que quiser ser o primeiro que se torne o último”.

Nos mostra seu exemplo dizendo que Ele não veio “para ser servido senão para servir”. Isto significa que coloca a autoridade no plano do serviço. Existe uma flagrante contradição entre o conceito evangélico de autoridade e o conceito que reina em nosso tempo.

Etimologicamente, autoridade vem do latim “augere”, que significa fazer crescer, aumentar, fazer nascer, dar origem. Daí vem “auctor esse”, que significa aquele que gera a vida em cada um. Já em sua origem o termo autoridade se define pelo serviço à vida.

Liberdade e obediência. Uma comunidade não pode ser fecunda sem espírito de obediência. Trata-se de ver a Deus detrás de toda autoridade humana legítima. Quer dizer, me inclino não ante a autoridade de um homem, senão ante a autoridade de Deus que se manifesta nele. Por isso, obediência por amor a Deus. “Obediência motivada por amor nos torna livres”, assegura o Padre Kentenich. E quanto mais avançamos por esse caminho, tanto mais livres havemos de sentir-nos interiormente.

Obediência é o grande sinal de amor. O amor prova sua autenticidade na obediência. É fundamentalmente fusão do “eu” com um “tu”. Mas a prova de que essa fusão não é algo sentimental é que se expresse em mim desejo de fundir-me com a vontade de ele. É a grande prova de amor dos filhos. É a atitude fundamental de Cristo: “Meu alimento é fazer a vontade do Pai” (Jo 4,34). É também a atitude fundamental da Virgem Maria: “He aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo sua palavra” (Lc 1,38). A obediência, atitude chave de Cristo e de Maria, é também a atitude chave de todo cristão.

Perguntas para a reflexão

1.    Para mim, é fácil obedecer?
2.    Como atuo quando tenho autoridade?
3.    De que maneira podemos ser diferente?

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