O que significa ser “pai de muitos”? Sem. Ricardo Valle Andrés

O sacerdote e os consagrados se tornam pais de muitos, algumas vezes caímos no pecado de desejar ter filhos biológicos. É muito bonito pensar que um filho de uma pessoa vai sendo formado, vai crescendo, amadurecendo e recebe esse amor paternal que o enche de cuidados e desvelos. Ser pai de muitos é realmente difícil, é amar e preocupar-se pela salvação e pelo desenvolvimento de pessoas totalmente alheias a você – humanamente falando –, porque para Deus todos somos seus filhos e devemos nos preocupar uns pelos outros.

Ser pai biológico é um dom divino, maravilhoso, é ver seu próprio filho nascer, crescer e ir sendo formado para chegar a ser alguém na vida. O amor que um pai tem a seu filho deve ser grande por ser parte dele.

Ser “pai de muitos” é muito diferente, não são seu sangue, não têm nada a ver com a pessoa no sentido biológico. Amá-los é mais difícil, dedicar-lhes tempo, sentir como próprios seus sofrimentos, etc. É muito difícil, mas gratificante. Este ser pai de muitas pessoas implica entender o Evangelho, saber que o amor é uma ação, não um sentimento. O amor (a=sem /mor=morte) significa outorgar vida e desejar que o outro viva. Para os cristãos, o amor é o mais importante já que todos somos filhos de Deus, todos somos irmãos e temos a mesma dignidade divina. Ser pai de muitos é saber-se amado por Deus e poder transmitir esse amor recebido às demais pessoas.