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Como sobreviver a meu filho adolescente, e não morrer na tentativa?
Por: Bertha Parra Lemus (psicologa)
A adolescência é uma das etapas mais ambivalentes e vulneráveis no desenvolvimento do ser humano. Trata-se da época na que cada pessoa se supõe do que decidirá que é o que quer fazer e a que se quer dedicar o resto de sua vida. Mas não só isso, senão que também deve encontrar sua verdadeira identidade (a identidade do eu) e um sentido a sua existência. Esta é uma tarefa sumamente difícil, pois além da revolução interna que vive o adolescente, estão as circunstâncias externas, isto é, o contexto social, econômico, político, etc. em que se desembrulha. Tudo isto pode ver-se agravado pela falta de entendimento dos pais para este ser que está na busca de sua identidade e seu espaço neste mundo.
O como se manifestem as mudanças adolescênciales dependerá em grande parte do contexto sócio-cultural no que esteja imerso o adolescente, além da educação que recebeu durante a meninice e o manejo que os pais tenham feito desta. Este último ponto é muito importante pois, se tivemos um menino rebelde e sem direção, não podemos esperar que ao chegar a adolescência se tranqüilize, pelo contrário, este adolescente agora estará muito mas vulnerável e susceptível a cair em condutas que danem sua integridade. E pelo contrário, se os pais foram respeitosos com o menino e o educaram num ambiente de amor e entendimento, teremos por conseqüência um adolescente menos desubicado do que o resto.
Falar de adolescência é falar de crise. Carvajal (1993), explica-nos as três principais crises do adolescente: crise de identidade, crise de autoridade e crise sexual. A vida do adolescente vai girar em torno destas três crises. As quais se irão manifestando de forma diferente, dependendo do tipo de adolescência que presente, e da etapa de adolescência na que se encontre. As emoções nunca são vividas tão intensamente como na adolescência, tudo se sente em macro: a tristeza, a alegria, a preocupação pela vida, o agastamento, o medo, etc.
A adolescência dos filhos remete aos pais a sua própria adolescência, esta em muitos casos se recorda como uma etapa tormentosa na vida e é por isso que existe a tendência a sepultá-la no esquecimento com tudo e as recordações tanto positivos como negativos. Isto é, o “pacote completo” se vai ao inconsciente e não queremos recordá-lo mais.
Quando os filhos atingem a idade adolescente, o primeiro que se pensa é: “oh, não! Já começamos a idade da apunhalada!”. No entanto o que sucede é que aos pais muitas vezes se lhes esqueceu que eles também tiveram que passar por aí para chegar a onde estão.
Isto ademais se vê agravado pela situação dos pais que geralmente se encontram na crise da metade da vida, e de repente se questionam as mesmas coisas que um adolescente só que já não contam com o mesmo tempo que o filho, isto é já não têm “toda uma vida por diante”, isto pode provocar sensações de ciúmes e inveja nos pais com respeito a seus filhos (ainda que muitas vezes nos recusamos a admití-lo) que se encontram na plenitude de sua vida.
O processo adolescente implica o elaborar uma série de duelos entre os quais temos o duelo pelos pais da infância, pela perda do corpo infantil e os privilégios de ser menino. É muito importante que os pais estejam conscientes destes duelos ou dores do adolescente e não se tomem de maneira pessoal suas ações de rebeldia, pois se pode chegar a entrar a uma batalha interminável na que ambos (pais e filhos) terminarão perdendo, no entanto o mais prejudicado sempre será o adolescente já que intervém, sua integridade como pessoa bem como a identidade que possa chegar a consolidar nesta etapa da vida.
Todos os adolescentes são “rebeldes”, todos os adolescentes são “irrespetuosos”, todos os adolescentes desafiam à autoridade e tratarão a toda costa de impor sua vontade e sua forma de pensar. Todas estas reações são o resultado de uma busca interna pela própria identidade, separada dos pais e de qualquer outra figura de autoridade que tenha sido imposta como tal.
Por outro lado, o adolescente também não é tonto, procurará secretamente certas figuras “ideais” para poder realizar este processo identifictorio.Como pais de um filho adolescente, é importante que confiem em si mesmos, isto é, que possam estar seguros de que a educação, valores e princípios que lhe foram inculcados até o momento, foi o adequado. Desta maneira o adolescente estará protegido contra as adversidades do mundo externo e será mais difícil que caia em condutas autodestructivas.
Esta segurança nos pais lhes dará mais tranqüilidade a ambos, pois sentirão que estão pisando um terreno firme e não pantanoso, serão mas livres pois poderão fazer uso de sua liberdade com responsabilidade.Como ponto final, é essencial recordar que agora é o tempo do adolescente, os pais já tiveram seu tempo, agora toca a estes fazer-lhe o caminho mais fácil ao filho, com apoio e entendimento mas sobretudo com amor.
Isto último marcará a diferença entre uma adolescência feliz ou infeliz.
Ficam muitas idéias e aspectos que tratar sobre a adolescência no tinteiro, mas as reservaremos para outra ocasião, pelo cedo esperemos que esta pequena reflexão tenha sido de utilidade.
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Relationship with children
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