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Por: Juan Bernardi
Não sei se conhecem dom Caffarra, ou se já leram alguma publicação dele, mas essa estrutura tão clara me lembra muito umas aulas que tive a oportunidade de ter com ele.
Que coisa tão imensa é a capacidade que temos, como seres humanos, de amar, mas de amar com toda a alma, com o corpo!
Assim é a faculdade sexual, se trata de um grandíssimo dom que Deus nos concedeu já que com ela podemos expressar o amor total e definitivo que temos para nosso cônjuge, além disso, nos dá a possibilidade de oferecer-lhe, independentemente do que sou em essência, meu corpo e minha alma, a possibilidade de ser pai ou mãe, através de mim.
O amor sexuado é a possibilidade de entregar tudo o que sou e possuo, e de receber tudo o que meu cônjuge é e possui.
O amor sexuado é a capacidade que uma pessoa tem, de ser pai ou mãe, unicamente através do outro.
É como a faculdade da visão, que nos permite ver as maravilhas do universo, ou o ouvido que nos permite escutar tantas coisas que valem a pena.
Ao contemplar a maravilha da faculdade sexual, ou seja, a linguagem desse amor total e definitivo, penso imediatamente no ato contraceptivo, que exatamente procura destruir parcial ou totalmente esta faculdade!
A contracepção artificial, que é colocar – dentro deste amor total – uma trave que diz “até aqui”, “te quero, mas não completamente, porque rejeito tua fertilidade”.
Isto nunca pode ser bom e, portanto, tampouco lícito. Atuar contra o bem da unidade ou o bem da procriação, que é a possibilidade de que venha à existência uma nova pessoa humana, que em si mesma é sempre um bem, é diminuir a totalidade de uma entrega, é mentir no compromisso, é desvirtuar o maior ato a que o homem tem acesso.
Isto fica claro para todos que sabemos ou temos tido a oportunidade de ler, no entanto, muitos dizem:
O magistério da Igreja é retrógrado porque não deixa utilizar os contraceptivos e, no entanto, permite os métodos naturais. Erro garrafal, como não entender a profundidade desta reflexão? O problema é a falta de informação, como chegar a tanta gente que, em sua pressa por viver, não pára e contempla a maravilha da vida! Não para questionar-se sobre quem é o homem é a maravilha a que está chamado...
Outro exemplo: aceitar o uso dos contraceptivos como fármaco, com a finalidade de regular os períodos de uma mulher que tem algumas dificuldades físicas na regulação de seus ciclos. Estas pessoas se esquecem que a moral sempre é julgada desde o ato da vontade, quando este pode ter uma manifestação exatamente igual para fora e completamente distinta para dentro. Eu posso dar dinheiro para ajudar alguém (ato de caridade), para pagar alguém (ato de justiça) ou para subornar alguém (ato imoral), trata-se de um mesmo ato, mas de finalidades muito diferentes. Da mesma forma, pode-se tomar uns complementos hormonais para regular os períodos (ato curativo) ou para evitar a procriação (ato contraceptivo).
Também convém dizer que há uma diferença abismal entre um ato não procriador e um antiprocriador. Os seres humanos são limitados e não podem realizar todos os bens que se apresentam a nossa inteligência; se o dinheiro que temos apenas alcança para manter nossa família, não podemos dar uma doação a uma obra de caridade embora seja algo muito positivo; ou se alguém escolhe a vida consagrada como sacerdote, não pode se casar, embora a vida matrimonial seja um bem maravilhoso. A mesma coisa acontece com a procriação, não sempre se deve realizar esse bem porque, em muitas circunstâncias, não é conveniente dar a luz a uma nova pessoa humana e, neste caso, o que é preciso fazer é não realizar esse bem, utilizando para isso os períodos infecundos. A isto o magistério chama “paternidade responsável”.
Nesta reflexão comparativa, seria como se a contracepção que seria realizar um ato positivo para atacar um bem que nesse momento considero um mal, é como se quem não pudesse dar esmola fizesse com que todos acreditassem que ninguém deveria fazê-lo porque o considera um mal, ou que um sacerdote tratasse de atacar o matrimônio como algo ruim para a sociedade porque ele tem a vocação ao celibato.
Obviamente, todos estes errariam porque consideram o bem um mal e o atacam, eles mesmos seriam culpados desse erro, pois é preciso ver se formaram sua consciência quando tinham de fazê-lo e com as pessoas adequadas, e se procuraram realmente a verdade e foram dóceis com ela.
Está claro que, nos períodos infecundos, doa-se tudo sem reserva porque é tudo o que se tem, ao contrário, na contracepção, não se doa tudo porque se exclui a fertilidade com um ato da vontade, que – como você disse corretamente – é um bem maravilhoso.
No caso da bondade unitiva presente no ato conjugal, é certo que às vezes não convém realizá-la, quando o cônjuge se sente mal, ou tem uma grande tristeza, cada casal sabe de si. Neste caso, a única opção é a abstinência nesses períodos de tempo, não uma abstinência dolorosa, mas uma abstinência sublimada pelo bem que se pretende alcançar, como, por exemplo, a responsabilidade plena dos atos, da decisão deles, isto nos aproxima ao que somos, seres racionais.
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