| Quanto mais contraceptivos, mais problemas sexuais para os adolescentes Dr. Felipe Vizcarrondo
O Dr. Felipe Vizcarrondo é pediatra e membro da junta diretora do American College of Pediatricians (Colégio de Pediatras dos EEUU), http://www.acpeds.org. O dr. Vizcarrondo também tem colaborado muito com VHI, como investigador de temas médicos.
Não são poucos os governos e as organizações internacionais que promovem uma “educação” sexual que consiste em disponibilizar contraceptivos para os adolescentes (1). Este tipo de “educação” sexual, que podemos chamar de hedonista, está baseado no mito de que quanto mais disponíveis estiverem os contraceptivos, vão existir menos casos de infecções de transmissão sexual (ITS) e gravidez entre os adolescentes (1). Muitos pais de família e outras pessoas que defendem uma visão correta da sexualidade humana têm alertado o público sobre esta idéia falsa. Mas não são somente eles, também cientistas que estudaram o problema em profundidade chegaram à mesma conclusão. Um deles é David Paton, professor da Universidade de Nottingham, no Reino Unido. Em abril de 2004, Paton publicou um estudo abordando o tema do “planejamento familiar”, contraceptivos (incluindo os que são abortivos), a gravidez e ITS nos adolescentes (2).
O estudo utilizou dados que foram obtidos na Inglaterra, entre 1998 e 2001. Paton concluiu que o recente aumento da disponibilidade de clínicas de planejamento familiar para a juventude está vinculado a um aumento dos índices de ITS nos adolescentes, mas não existem mudanças nos índices de gravidez na maioria dos grupos de qualquer idade².
Em outras palavras, no melhor dos casos, uma maior disponibilidade de contraceptivos tem sido completamente inútil para reduzir os índices de gravidez nos adolescentes e, no pior, essa disponibilidade tem sido contraproducente, porque tem contribuído para o aumento dos casos de ITS nesse mesmo setor da população inglesa. Mas isso ainda não é tudo. O estudo de Paton também indicou que o impacto adverso nas ITS tem aumentado significativamente, desde que a contracepção de emergência (CE) chegou a estar disponível em grande escala².
A CE consiste na ingestão de pílulas contraceptivas ou outros fármacos (como o Misoprostol), ou na colocação de um dispositivo intra-uterino (DIU), certo número de horas depois de um ato sexual, no qual não foram usados contraceptivos ou pensa-se que estes contraceptivos falharam e, portanto, acredita-se que este ato vai ser fecundo (3). Como tanto as pílulas contraceptivas, como os DIU às vezes atuam impedindo a implantação de um embrião humano no útero da mãe, disto deriva que a CE, ao menos uma parte do tempo, atue como um abortivo (3). No entanto, o que Paton está enfatizando aqui é que a CE não só não oferece nenhuma proteção diante das ITS (como normalmente e erroneamente se acredita) (4), mas parece ser que está vinculada a um aumento das mesmas. A Inglaterra não é o único país europeu no qual a “educação” sexual hedonista tem fracassado de forma tão fora do comum, outro caso e a Suécia, considerada o paraíso da liberação sexual e da “educação” sexual hedonista.
Um artigo publicado em julho de 2002 diz o seguinte: “Na Suécia, as atitudes da sociedade a respeito das relações sexuais entre os adolescentes são liberais e os assuntos de saúde reprodutiva (contraceptivos, incluindo os que são abortivos) são considerados de grande prioridade” (5). O artigo também afirma: “A educação sexual tem sido ensinada nas escolas desde a década de 1950. A idade de consentimento para as relações sexuais é de 15 anos. Desde 1975, o aborto é praticado a pedido... Os preservativos e os contraceptivos orais (pílulas contraceptivas¹ e outros fármacos contraceptivos¹) estão disponíveis a baixo preço e a contracepção de emergência (CE) é vendida sem receita” (5).
Os que acreditarem no mito de que uma maior disponibilidade dos contraceptivos traz consigo uma diminuição das ETS (Enfermidades de Transmissão Sexual), pensarão que os adolescentes suecos não teriam problemas desse tipo, mas se equivocam redondamente. O estudo já citado continua dizendo: “A gravidez entre as adolescentes não é comum (claro, com tantos abortos e contraceptivos abortivos disponíveis, como poderia ser). No entanto, os problemas de saúde sexual e reprodutiva estão aumentando entre os jovens (...), os índices de abortos de adolescentes aumentaram de 17 por cada 1.000 em 1995 a 22.5 por cada 1.000 em 2001. As infecções de clamídia genital aumentaram, de 14.000 casos em 1994 a 22.263 em 2001, 60% desses casos ocorreram entre os jovens e o maior aumento aconteceu entre os adolescentes” (5). O bom senso nos diz que se aos adolescentes, cuja psicologia nesse período da vida normalmente é bastante vulnerável, são oferecidos contraceptivos em vez de valores, a maioria deles vai escolher o caminho fácil, e ao mesmo tempo autodestrutivo, do hedonismo.
Precisamente, o artigo citado informa sobre esta situação. Em 1999, 55% dos adolescentes dos dois sexos, de 17 anos de idade, que foram entrevistados em um estudo, tinham tido relações sexuais casuais. Os profissionais que trabalham com adolescentes na Suécia (professores, trabalhadores do setor saúde, etc.), reconhecem que fumar e o uso precoce do álcool pelos jovens coincidem com o primeiro encontro sexual (5). Não resta dúvida, o enfraquecimento da fibra moral da pessoa, a leva à anarquia pessoal. As defesas éticas são derrubadas diante da ânsia insaciável de prazer a todo custo e sem nenhum limite.
De fato, o artigo em questão continua informando sobre o problema do hedonismo adolescente, transladando-se à Noruega, onde a situação está muito longe de ser melhor. Lá, o processo de declarar-se homossexual publicamente durante a adolescência está vinculado a um aumento das tentativas de suicídio, mas este assunto não foi investigado na Suécia (5). Diante deste panorama norueguês tão sombrio, não podemos deixar de pensar que seria melhor que as autoridades suecas investigassem este problema, evitando que em pouco tempo esta mesma desgraça aconteça, ou já esteja acontecendo, na Suécia. As sociedades européias (já nem falemos das norte-americanas) reagirão diante do desastroso resultado de sua “educação” sexual hedonista? Perceberão que a resposta a tudo isso passa pela aceitação e vivência de uma moral integral, que respeite a dignidade da pessoa, do casamento entre um homem e uma mulher, e da família? Não sabemos. O que, sim, sabemos é que se a América Latina – que ultimamente tem tomado o mesmo caminho errado desses países – não retornar a estes valores, o mesmo vai acontecer com seus adolescentes e também com o restante de suas sociedades.
Notas
1. Visite, no portal de VHI, www.vidahumana.org, a seção “Educação Sexual” em: www.vidahumana.org/vidafam/ edusex/edusex_index.html.
2. David Paton, Random Behavior or Rational Choice? Family Planning, Teenage Pregnancy and STIs, abril de 2004, pág., 2. Este relatório se encontra disponível em formato eletrônico de PDF no portal da organização “Women’s Concerned for America”, www.cwfa.org, concretamente no link: www.cwfa.org/STIRESRevised.pdf.
3. Visite, no portal de VHI, as seguintes seções em seus correspondentes links: www.vidahumana.org/ vidafam/anticon/anticon_index.html. www.vidahumana.org/ vidafam/anticon/emergencia_index.html.
4. Visite, no portal de VHI, a seção “AIDS”, no link: www.vidahumana.org/ vidafam/sida/sida_index.html.
5. K. Edgardh, “Adolescent Sexual Health in Sweden”, Sex Transm Inf, 19 de julho de 2002, 78: 352-356, sti.bmjjournals.com/cgi/content/full/78/5/352.
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