Dê uma chance para a vida!

Por: Patricia Medina

• A decisão sobre o planejamento de filhos cabe ao casal e não ao governo

Uma agente de saúde da prefeitura bateu na porta da minha casa. Queria saber como eu e a minha filha recém-nascida estávamos. Se eu a estava amamentando, se estava seguindo o calendário de vacinação, etc... Maravilha! Coisa de primeiro mundo! Depois de alguns minutos desta “entrevista”, sabendo já que eu tinha 4 filhos, veio a pergunta: “Se eu estou a par das minhas opções de planejamento famíliar”. No posto de saúde, ela quis continuar, eu encontraria várias opções. Nem a deixei terminar. Lá fui eu com o meu “Sou católica!”. Sim, disse ela. Ela também era católica, mas “nem sempre dá para ter filhos”. Além disso, continuou a simpática agente de saúde, eu poderia aprender no posto de saúde também sobre a tabelinha.

Respondi que, sendo católica, estava a par do método natural para evitar filhos e que, eu mesma, durante alguns meses em que não pude engravidar devido a uma séria doença, fiz uso do método Billings, este sim permitido pela Igreja. Mas, acrescentei, na minha casa, vemos filhos não como um incômodo a ser evitado, mas como uma benção a ser recebida! Meu planejamento é me abandonar nas mãos de Deus, confiar na Sua Providência, ser mãe e implorar a graça de ver meus filhos batizados. A Catarina (foto) foi batizada com 9 dias de vida! Deo gratias!

Em novembro de 2005, o Santo Padre Bento XVI falou sobre as famílias numerosas. Disse ele que “sem filhos, não há futuro” e pediu “medidas sociais e legislativas para sustentar as famílias numerosas, que constituem uma riqueza e uma esperança para todo o país”. O Papa tem muita razão em defender as famílias numerosas. Parte do problema da Europa, que faz questão de matar qualquer rastro de cristianismo no âmbito famíliar e social, é este: a Europa não gera vida. Quer gerar riqueza sem gerar nenês. Quer progresso sem vidas humanas, quer desenvolvimento sem fertilidade. E este é o raciocínio moderno, dos casais modernos, europeus, americanos e latino-americanos. Quanto menos filhos, pensa o mundo, mais eu acumulo riqueza. Que triste!

Isso me faz lembrar o ocorrido com um casal conhecido católico dos Estados Unidos a alguns dias atrás: o pai de 5 filhos, Joe, foi pescar com o seu pequeno de três anos. O barco virou e a criança morreu. Ainda não acharam o corpo da criança, porém o pai, desolado, deu uma entrevista ao canal de TV local e disse: “Muitos têm carros, muitos têm casa na praia. Muitas famílias têm férias em lugares exóticos, eu não. Minha riqueza são meus filhos”. O Papa certamente concorda!

Ter muitos filhos é difícil, mas eu e o meu marido os temos não porque esta é uma posição política de nossa parte, nem porque alguém defende que a prole seja grande, ou porque nos sentimos socialmente pressionados a isso.

Os temos porque nos amamos tanto, mas tanto, que a conseqüência natural do Sacramento do Matrimônio para nós se traduz em nenês. Muitos nenês.

E, no entanto, tantas vezes, as mães e pais destas famílias numerosas são tachadas de irresponsáveis, de ignorantes. Um conhecido nosso, brincando, perguntou se já tínhamos ouvido falar de TV a cabo! Muitos afirmam que não é “ecologicamente responsável” ter muitos filhos, como se uma nova vida estivesse no mesmo patamar que a reciclagem de lixo. O governo gasta fortunas para salvar tartarugas e botos cor-de-rosa e fortunas para apregoar a mentalidade contraceptiva nas pessoas. A mentalidade contraceptiva é achar que filho é um incômodo a ser evitado. Um incômodo, não um presente de Deus! O que gera a pobreza não é o número de filhos de um casal. O que gera a pobreza é a corrupção e o pecado.

Muita gente diz que não tem dinheiro para ter filhos. Mas, quando o salário aumenta, o filho não vem. Quanto mais rico um casal é, em geral, menos filhos eles têm. A riqueza gera apego, não poucas vezes. Além do mais, o mundo não estimula que casais tenham muitos filhos. É triste ver que mesmo algumas escolas católicas não estimulam isso, não dando desconto nas mensalidades para o segundo ou terceiro filho (nem todas, graças a Deus!). Não podemos nos permitir a ganância. As famílias numerosas merecem todo o apoio da comunidade! Fiquei tocada quando a Catarina nasceu. Tanta gente, sabendo que eu e o meu marido não temos família na cidade, nos ofereceu ajuda, comida, apoio real. Isso é cristianismo. Isso é mentalidade anti-contraceptiva!

Termino lembrando que a história da Igreja está recheada de santos e santas que vieram de famílias numerosas. Estas famílias são celeiros de santidade, pois obrigam todos os seus membros a dividir o que em outras casas sobra, a socorrer os menores, a confiar em Deus, enfim.

Faço um convite aos casais que lêem esta coluna. Rezem. Perguntem para Deus o que Ele quer para o casamento de vocês. O preço da escola e o do plano de saúde pesa, mas fazer a vontade de Deus pesa mais. Que tal dar uma chance para a vida?

christussacerdos@terra.com.br

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