Da paixão ao grande passo do amor

Por: Eugenia Ponce de León Álvarez

“Oh amor poderoso! Que às vezes faz de uma besta um homem, e outras, de um homem uma besta.”
William Shakespeare

O amor é um tema central, é um tema de vida ou morte para nós, os seres humanos, ao final de todo e o que procuramos em todas as situações tem a ver com encontrar o amor, a aceitação, a sensação de ser apreciados. Existem múltiplas formas em que o amor se faz presente em todos nós, o amor de pais, de filhos, de amigos, o amor pela nossa profissão e o mais transcendente e irracional, o amor de casal.

O amor começa com processos de se aproximar, de se apegar, de se vincular e isto se desenvolve primeiro na fase da paixão, mas qual é a diferença entre paixão e amor?

A paixão disse Alberoni 1979 é “O estado nascente de um movimento coletivo de dois” e dentro de sua explicação nos faz saber que não importa realmente quem seja o outro, senão que com a paixão nasce uma força terrível, que tende à fusão e faz a cada um de nós insubstituíveis, único para o outro. (Velasco, 2006)

Pelo contrário o amor é um estado, um vínculo, algo mais estável, mais real, é algo que possui já uma história, uma correspondência, um desenvolvimento, uma constância e muitas vezes é uma fase prolongada de terminação muito dolorosa que se desata pelo cotidiano, pela busca irracional de ilusões, pela insatisfação, pela não complacência das expectativas que todos formamos ao estar num relacionamento de casal. (Velasco, 2006)

O passo da paixão ao amor terá que ver então com a desilusão, mas, com a desilusão de que?

Primeiro de que o “outro” não seja perfeito, de que o “outro” pensa, sente e expressa de forma distinta a nós, com a desilusão de que o “outro” não poderá encher isso que fantasiosamente anelamos e é: que nos “de”, é dizer uma vida estilo conto de fadas, só quando exista esta desilusão e permanecemos com esse parceiro (a) é que poderíamos dizer que nos encontramos já numa relação de amor e não de paixão, o amor real se da pela tolerância de aceitar que o “outro” não é o que tínhamos imaginado, é aceitar a grande desilusão da imperfeição, contudo sempre será um fator muito importante o poder admirar ao nosso (a) parceiro (a) por quem é e pelo que faz, se um não admira ao parceiro (a) dificilmente esse amor perdurará.

O amor então consistirá em formar um sistema, um projeto juntos que lhes permita funcionar de forma confortável sem sacrificar completamente os valores e os ideais que os leva a estar juntos.

Seria fundamental para o amor o discurso, a intimidade, o compromisso, se precisa do erotismo e da intensa paixão do encontro sexual, da proximidade física e emocional e da ternura. (Velasco, 2006)

Escrevê-lo é simples, mas construí-lo resulta um dos grandes retos da humanidade.

Bibliografia

Alberoni, F (1979): Paixão e Amor, Barcelona, Gedisa
Velasco, F (2006): Os amorosos e seus descontentes, México, Lumen.

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