Libertação feminina ou o livre e feminino da mulher

Por: Maruca Serrano de Ortega

Como mulher, não deixo de me surpreender com tudo o que tem sido escrito sobre o tema da mulher,  e o que chama mais atenção é que os homens também têm escrito sobre este tema que está longe de chegar a seu termo. Hoje em dia, seguimos escrevendo sobre a mulher e o mundo inteiro se reúne para falar sobre este tema. Por que será?

Porque é inegável que, enquanto uns podiam escrever versos, outros podiam fazer-lhe esculturas; enquanto uns a elevavam ao nível de uma rainha, outros a relegavam à escravidão. Atualmente ninguém, realmente ninguém, poderá negar a terrível discriminação que a mulher tem sofrido. Bastaria revisar algumas frases históricas:

Eurípides, no século V a. C., afirmou: “Um só homem tem mais valor de que 10.000 mulheres”

O célebre Ovídio, falecido no século XVII d.C., declarou: “Somente um homem demasiadamente tolo se sente mal com sua esposa quando comete adultério”, e acrescenta, “Este homem ainda não entendeu o que significam os bons costumes”.

Também na época moderna, na Europa, encontramos Lucero, que diz: “As garotas aprendem a falar e a andar antes dos garotos porque a erva má cresce sempre mais rápido do que a boa”.
Rousseau e Kant, consideravam a mulher imatura, carente de iniciativa, “a mulher, em geral, não ama as artes, não entende  nenhuma delas e carece, em absoluto, de talento”.

Schopenhauer é considerado inimigo declarado da mulher. “Todas as mulheres estão inclinadas ao desperdício, portanto devem estar submetidas à tutela de um homem, mesmo quando este homem for seu próprio filho.

O próprio Nietzsche afirmou que “a mulher, em comparação com os homens, é pior”.

Assim, sobram razões para entender e apoiar os movimentos e organismos de defesa dos direitos da mulher, os quais conseguiram muitas vitórias. Não obstante, de uma reivindicação mais que justa, eles passaram de novo a um ponto também injusto que é o  feminismo extremista.  

Por isso, basta observar a luta absurda por uma igualdade impossível, de uma libertação distante, muito distante de uma autêntica liberdade, de um feminismo afastado daquilo que é verdadeiramente feminino. Dos justos reivindicatórios Direitos Humanos, aos injustos igualitarismos entre os sexos. Libertação diante da liberdade.
   
Se quiséssemos definir a melhor forma de ser Pessoa, diríamos que Pessoa é o Ser, que é tão intensamente ser, que pode dominar seu próprio ser.

Ser livre é escolher, sim, escolher no sentido de poder decidir bem ou mal, coisa que nenhum animal instintivo pode fazer. Ser livre é poder optar por dominar-se e, portanto, poder rejeitar ser dominado por qualquer coisa como vícios, drogas, paixões, etc.
       
Libertar é deixar sair, assim, sem medida, é soltar. Um líquido engarrafado pode sair retirando-se a rolha e assim pode-se fazer com ele o que quiser, para o bem ou para o mal, com rumo ou sem, para benefício ou para prejuízo.  

Se um líquido com gás for agitado e depois destapado descontroladamente, fatalmente vai ser desperdiçado.

Mas a liberdade... a liberdade é algo mais, muito mais nobre, mais louvável, em última instância, exclusivamente humano.

Pode-se usar “libertação” para um animal em cativeiro, mas “liberdade” só pode ser para a pessoa

A libertação pode ser entendida como um terremoto que provoca um desastre. A liberdade se entende como poder dizer “sim” ou poder dizer “não”, com plena consciência.  

Dizemos “sim” aos movimentos que procuram a liberdade para a mulher, os que procuram sua reivindicação, sua igualdade nos direitos fundamentais.
       
Dizemos “não” aos que atacam sua autêntica liberdade e a animalizam, fazendo a mulher acreditar que é incapaz de dominar-se, de escolher o caminho da dignidade, do valor. Liberdade em seu duplo sentido: livre de escolher e livre de aceitar. Livre de aceitar como adulto, não como adolescente.
       
Não podemos escolher muitas coisas na vida: não escolhemos nossos pais, nem nossos irmãos, nem a época ou tempo de nosso nascimento, tampouco o sexo, nem muitas coisas mais.

Autonomia sim, capacidade de dar a si mesmo suas próprias leis, e estas leis devem velar pelo bem da pessoa e da sociedade.
       
O que aconteceria no mundo se cada um de seus habitantes procurasse tão somente sua própria autonomia? Não poderíamos chamar isto de egoísmo radical? Até onde nos levaria? Levaria à perda da paz, isto é, à violência, à guerra.
       

Feminino sim, esse modo de ser, de estar e de sentir como mulher, próprio e exclusivo da mulher. Feminista, entendida com o rompimento das leis da natureza, como a fratura desmedida da mesma lei que nos deu os direitos fundamentais, NÃO! Não podemos aceitá-la.  

Se feminista significa triunfar em um trabalho profissional, estaria bem, muito bem, mas sabendo que não SOMENTE em um trabalho profissional se pode triunfar como mulher.

Um feminismo que não se limite a um mero meio, como é a libertação.

Perguntaríamos então: para que me libertar? Para fazer o que bem quiser? O que desejar?
       
Sim, isto resulta muito atraente, muito apaixonante, mas o que aconteceria se todo mundo agisse assim? Quem estudaria com persistência? Quem educaria as crianças? Quem perseveraria na formação de uma família? E, finalmente, quem poderia viver sem uma família?

E se fosse válido somente o que se tem vontade de fazer neste mundo, quem trabalharia? Quem lutaria por um mundo melhor?

A liberdade somente pode ser para fazer-nos melhores, para realizar-nos e, em última instância, para viver em paz.

E deveria ser uma autêntica liberdade feminina, com um carisma próprio, com um ângulo exclusivo, próprio da mulher, só a mulher pode ser mãe e só o homem pode ser pai. Só a mulher pode dar à luz e somente ela, como mulher, pode amar.

Assim como só o homem ama como homem, e só o homem engendrará como homem.

Libertação feminina ou o livre e feminino da mulher. Só você poderá escolher, hoje, se encontram de novo frente a frente. Atualmente, já somos nós, as mulheres, que falamos sobre os temas femininos, somos as que tomam a palavra, as que – em última instância – decidimos. Libertação desbordante, desigual e, às vezes, muitas vezes, extremista... ou liberdade, liberdade com um sentido, como um meio para uma verdadeira e racial realização.  
Feminista em extremo, ou feminina e livre; feminista extremista, ou feminina e mulher. Livre para escolher, aceitar ou libertação frustrante, de rejeitar.
Em última instância:
Reivindicação de nossos legítimos e justos direitos ou IGUALITARISMO DEGRADANTE E IRRACIONAL.

MULHER LIVRE OU FEMINÓIDE ESCRAVA? VOCÊ É QUEM DECIDE!


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