| Do amor ideal ao amor real Padre Nicolás Schwizer
O Padre Fundador faz-nos ver que a grande desilusão de nossa vida poderia ser a seguinte, acreditávamos que nossa vida em comum ia ser como a dos anjos: unidos por uma profunda união de corações e por um cálido amor mútuo.
Durante o noivado; ao início de um matrimônio ou de una comunidade se ama muitas vezes uma idéia ou um sonho. Naquele tempo não víamos nossas sombras, já que tudo estava iluminado pelo primeiro amor. Mas, depois de haver vivido juntos durante anos, despertam para a realidade: se conhecem mutuamente com suas debilidades e misérias. Aparecem os defeitos: defeitos meus e defeitos dos demais. E também aparecem como parte da vida, as manias, caprichos ou o que a mim parece como tal.
Carlos Vallés conta como uma vez assustou a um jovem que lhe pedia conselho sobre seu matrimônio em perigo. Disse-lhe que a única solução que tinha era o divórcio. E depois do susto explicou-lhe: Tinha que divorciar-se da mulher com quem havia se casado, é dizer, do sonho de mulher com que havia se casado, da imagem ideal de esposa perfeita que ele mesmo havia formado em sua mente e havia levado ao altar em pura fantasia romântica.
O que agora teria que fazer era divorciar-se do sonho e voltar a casar-se com sua própria mulher, sua mulher real. Agora devemos amar ao outro tal como ele é, e não como o havíamos imaginado.
Do contrário, surge o desejo de que o outro se adapte aos meus desejos de mudança. Inclusive eu mesmo tento mudar-lo. E então o outro se fecha por não poder ou querer fazer-me caso. E eu me sinto ofendido e o faço saber. Sinto-me como sentado num trono disposto a vigiar sua conduta, a receber suas desculpas ou sua adulação. Uma forma primitiva de amor, tal como uma maçã verde de gosto ácido.
Depois vamos crescendo. Do amor idealizado havemos de passar ao amor real. Permito ao outro ser como é e o aceito. E então muda a relação, existe mais liberdade, mais respeito. Quando estou disposto a agüentar ao outro, então amadureci. Já não o faço entender que é um peso, que me causa dor, que teria que ser diferente, se não que o aceito simplesmente tal como é. Esse é o verdadeiro amor.
Por isso comenta o Padre que depois dos primeiros anos “nossa vida consiste em grande parte em apoiar-nos e agüentar-nos mutuamente” (Milwaukee 13-1-1964, 7).
Quando vou crescendo e amadurecendo ainda mais, então até me alegro disso, e o faço com um sorriso. “Quanto mais sacrifícios ofereçamos um pelo outro, tanto mais felizes seremos” (Obra das famílias, 36), afirma o Padre. Contribuo ao Capital de graças; ofereço à Mater o peso que significa o outro para mim. E assim vou aproximando-me ao Senhor crucificado. Ele aceitou e agüentou os cravos. Por isso, alegro-me de que o Senhor me aproxime a sua cruz, que me assemelhe a Ele.
O espírito de família consiste em grande parte no amor que é capaz de levar o peso dos demais. É uma das tarefas mais difíceis na família. De todo modo, a vida cotidiana mostra-nos: enquanto vivamos nessa terra, haverá discussões e desavenças. A obra mestra consiste em sobrelevar-las sem perder a união de corações. A obra mestra consiste em aproveitar as contrariedades, para crescer y unir-nos mais profundamente.
Perguntas para a reflexão
1. É difícil para mim aceitar os defeitos dos outros?
2. O que me diz a frase: “com alegres sacrifícios sobrelevam-se”?
3. Insisto que os demais atuem conforme ao que a mim parece correto ou goste?
Se deseja comentar o texto ou dar seu testemunho, escreva para: pn.reflexiones@gmail.com
Tradução: Lena Barros de Ortiz. União de Familias no Paraguay.
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