Os enfermos, prediletos do Senhor

Por: Padre Nicolás Schwizer

Ao falar sobre o sacramento dos enfermos constatamos uma realidade: Nós, católicos pouco nos preocupamos religiosamente de nossos enfermos. Se nos preocupamos materialmente: chamamos o médico, os levamos ao hospital, etc. Mas ao sacerdote, não o chamamos. Pelo menos enquanto o enfermo não estiver para morrer. Porque poderia morrer de susto quando visse entrar o sacerdote.

Muitos pensamos que ao sacerdote se chama somente para despedir oficialmente aos moribundos. E, por isso, esperamos o último momento, quando o enfermo já está inconsciente. E já não vê que vão rezar por ele.

Assim, à necessidade de ajuda religiosa ao enfermo consciente, passamos por alto. É aí aonde nos superam os irmãos separados, que atendem muito melhor a seus enfermos.

Penso que em parte fazemos isso por ignorância. Porque não sabemos que a “unção dos enfermos" é como seu nome indica – para os enfermos. Para todos os acometidos de alguma enfermidade grave ou muito prolongada, mas sem necessidade que estejam em perigo de morte ou próximos a agonizar.

O sentido deste sacramento é pedir a força de Deus – seu espírito de fortaleza – tanto para a alma como para o corpo do enfermo.

No rito deste sacramento, a Igreja expressa sua fé em que Deus vence não somente o pecado, senão também suas conseqüências exteriores e físicas. Por isso, é o grande sacramento da esperança. Nos exige crer que Cristo possui o poder de alterar o curso de uma enfermidade e de fazer milagres.

Não obstante o falado, a finalidade principal do sacramento – e o que sempre se produz – é a finalidade espiritual: o perdão dos pecados, o consolo e fortalecimento interior do enfermo.

Este sacramento o ajuda a descobrir o sentido profundo e purificador de sua enfermidade:

•    a unir suas dores a paixão redentora de Jesus;
•    a crescer na confiança e esperança cristãs.

A saúde física é uma finalidade secundária que também se pede, mas, apelando para a livre bondade de Deus.

Ele pode concedê-lo. E temos que crer nisso. Mas não se deve entender o sacramento como um rito mágico que obrigue a Deus ao milagre.

Maria, com seu sentimento para o amor pessoal, nos ajuda a descobrir o valor único que cada ser humano tem para Deus – e também cada enfermo – apenas pelo fato de ser pessoa e filho seu.

Em nossa sociedade moderna, os enfermos são considerados, muitas vezes, como um estorvo. Porque incomodam, roubam tempo e dinheiro, não produzem nada. Até entre os próprios cristãos se sente algo dessa atitude utilitarista: São poucos os que querem dedicar-se ao apostolado dos enfermos.

Por último, a Sma. Virgem nos mostra, a luz da fé, a força salvadora que possui a dor: como força purificadora, como poder de súplica e redenção. Porque com súplicas e dor – que Ela compartiu generosamente – seu Filho salvou ao mundo inteiro.

Os enfermos, precisamente porque sofrem – e também porque tem muito tempo para rezar – longe de ser um estorvo, deveriam ser considerados como o tesouro da Igreja e de cada família cristã, como os irmãos prediletos do Senhor.

Maria sabe que uma Igreja que não se dedique com amor a seus enfermos, não pode ser a Igreja de Deus, daquele Deus que vinha anunciar a Boa Nova aos pobres e a libertar os oprimidos. Porque Jesus contou sempre com os enfermos e os que sofrem entre seus prediletos.

Que a Mater, desde seu Santuário, nos dê a graça de saber valorizar e amar a nossos enfermos, assim como seu Filho Jesus Cristo o fez.

Perguntas para reflexão

1. Tenho fé em uma cura milagrosa?
2. Qual é minha atitude ante os enfermos?
3. Conheço em que consiste o apostolado dos enfermos?

Se deseja comentar o texto ou dar seu testemunho, escreva a: pn.reflexiones@gmail.com

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