 |
Por: Presbítero José Martínez Colín
Quando se tem um desejo nobre e não se desiste, é capaz de que muitos se “contagiem” e o sigam, conseguindo que se realize, a pesar das dificuldades.
A história recente de um menino chamado Ryan pode abrir nossos horizontes para ser mais generosos. O mesmo menino descreveu ao fenômeno de contagiar como o “Ripple Effect”, “Efeito Onda”, devido a sua propagação.
Ryan Hreljac nasceu no Canadá em 1991. Tinha só 6 anos quando escutou surpreso a sua professora Nancy dizer que a primeira causa de mortandade em uns países de África, não é a falta de alimentos, senão a má qualidade da água que bebem.
Ryan lhe perguntou a sua professora quanto custava um grifo. “70 dólares”, respondeu. Ao chegar a casa lhe pediu a sua mãe o dinheiro para comprar um e enviá-lo por correio. Susan, sua mãe, o ignorou num começo. Mas Ryan insistiu tanto e inclusive lhe propus fazer as tarefas domésticas durante todo um ano para poder comprá-lo: “Não o entende mãe”, disse com lágrimas em seus olhos, “as crianças estão morrendo simplesmente por não terem água limpa!”
Sua mãe aceitou, sabendo que uma criança é inconstante. Mas não era assim Ryan, quem a pesar de sua corta estatura, aspirou, limpou as janelas, trabalhou pacientemente e poupou por vários meses. Seus dois irmãos primeiro lhe ajudaram, mas logo cansaram.
Susan acompanhou então ao seu filho ao escritório da Watercan. A diretora Nicole Bosley explicou ao menino que com 70 dólares somente se pode adquirir uma bomba de mão. Mas para perfurar um poço se precisariam uns 2.000 dólares. Ryan contestou: “Terei que fazer mais afazeres domésticos então?”
Nicole foi a segunda que se contagiou pelo ‘Ripple Effect’, e convenceu aos seus superiores e à Agencia de Desenvolvimento Internacional do Canadá para pagar a metade da fatura do poço. Faltariam outros 700 dólares. A família de Ryan era de recursos econômicos limitados, mas o ‘Ripple Effect’ se propagou pela comunidade e coletaram o dinheiro faltante. A Watercan concedeu então uma entrevista ao Ryan com Gizaw Shibru, o diretor para Uganda de todos seus programas de ação. Ambos elegeram uma escola ao norte do país afetada pelo AIDS e a seca, onde um de cada cinco crianças morria antes de ter a idade do Ryan.
Mas Ryan foi mais longe. Quando soube que os poços se perfuravam a mão foi na busca de 25.000 dólares que custava uma broca móvel. Sua mãe conseguiu uma entrevista com o jornal de Ottawa que resultou em um documentário para a TV e assim chegaram cheques e doações desde todo o país.
Ryan pode estabelecer contato e amizade com um menino de Uganda e grande foi sua surpresa quando, graças a um donativo, pode viajar a esse país, onde, não só o esperava seu amigo, senão centos de pessoas cantavam a coro seu nome.
Se ele podia dispor de água potável, por que ao outro lado do planeta não podiam? Com esta lógica esmagadora nasceu “Ryan’s Well” (“O poço de Ryan”) que é a empresa mais fascinante que um menino de sua idade tenha empreendido, contagiando a milhares de empresas e pessoas. Agora Ryan preside uma das maiores ONG para ajudar nas crises de água. Até a pouco, graças ao esforço e perseverança de Ryan, se tinha dado serviço de água potável em 15 países a 577,640 pessoas.
O sonho de Ryan é que se “contagie” a tantos, que ter água potável seja uma realidade.
(e-mail: articulosdog@gmail.com)
|
|
 |
 |