"Para você que pensa em esterilização: uma saída"

Por: Julie Maria

Querida Irmã em Nosso Senhor Jesus Cristo e em Maria Santíssima:
Peço que reze esta oração antes de ler este texto feito para você:

“Senhor, ajudai-me ao ler este texto, a abrir o meu coração para a plenitude da verdade do Seu Plano sobre o sexo e sobre o matrimônio. Eu não quero estar cego pelo meu orgulho. Não quero ser enganada pelos meus próprios desejos. Eu quero viver na verdade. Somente a verdade. Te imploro Senhor a graça de não usar mais a contracepção e não decidir pela esterilização se for contra Sua Vontade. Eu confio em Vós.”

Querida irmã em Cristo, o que você me diria se hoje, com plena consciência e consentimento, o seu esposo, que você tanto ama chegasse até você e dissesse: “me desculpe mas eu não te amo mais.” Se isso realmente acontecesse você entraria numa grande crise, talvez a maior da sua vida, porque quando você casou confiou que ele te amaria “na tristeza e na alegria, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza”. Esta escolha é possível porque o ser humano, dada a sua inteligência, liberdade e vontade, tem a condição de auto-determinar sua conduta e “decidir amar para sempre”, custe o que custar! Eis a nobreza do amor humano, a diferença do instinto animalesco: é um amor racional e se é um amor cristão, será também iluminado pela fé, o que lhe dá a honra de se transformar num amor divino. Por este amor - e não outro - é pelo qual os esposos decidiram viver “até a morte”, quando prometeram que seriam “um do outro” para sempre.

Ser um do outro é uma obra que só o amor verdadeiro pode fazer: o meu “eu”, (propriedade minha) eu faço ser de “outro” porque amo este “outro” como a “mim mesmo”. De fato, grandíssimo é o amor esponsal/matrimonial que, por tão grande, se fosse bastante meditado antes do casamento, livraria a muitos da praga do divórcio.

Este “ser todo do outro” através do Sacramento do Matrimônio implica uma doação total, exclusiva, fiel e aberta à vida. Estas qualidades não são arbitrárias, são exatamente o cerne do amor que Cristo viveu pela Igreja, e da qual os esposos tem a vocação de refletir em seus atos diariamente. Significa que vocês, esposa e esposo, colocam sua vida à disposição do outro, imitando assim a cena comovente de Jesus, Rei do Universo, cingindo sua cintura com um pano para lavar os pés dos discípulos, ato feito pelos escravos a seus patrões: “Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. SE SABEIS ESTAS COISAS, BEM-AVENTURADOS SOIS SE AS PRATICARDES."

Este gesto o esposo e a esposa fazem um ao outro desde quando o (a) acorda de manhã e até a hora do beijo de boa noite, quando então juntos rezam, se olham sem medo, pedindo perdão pelas faltas e prometendo recomeçar uma e outra vez aquele amor que juraram frente a Deus. Eles reconhecem que com a perseverança na busca diária da graça divina, poderão viver dia a dia a santificação matrimonial, até chegar ao rumo de todo cristão: a unidade com o Pai na vida eterna. Eles reconhecem que o Sacramento é instituído por Deus, e não pelos homens, e é d’Ele que vem a graça para vivê-lo.

Sabemos, no entanto, que a nossa mansão eterna depende em primeiro lugar da Redenção de Cristo, dom mais excelso para a humanidade, e segundo lugar do nosso “sim de hoje”, pois Deus não leva ninguém forçado para o céu! Isto é, o céu também depende de nossas decisões. As decisões erradas, depois que nos arrependemos, ainda tem a graça do perdão de Deus. Mas porque tomamos tantas decisões erradas? Muitas vezes pela ignorância: desconhecemos que esta decisão é um mal, e só depois vemos a tragédia.

Você, minha irmã, está prestes a cometer uma tragédia e eu rezei muito para o Senhor iluminar tua consciência com a Sua Palavra, e se você abrir o seu coração e sua mente para captar o sentido do matrimônio e do amor esponsal que você já se comprometeu a viver a partir do seu “sim” no altar, Deus vai te iluminar para uma decisão diferente. Lembre-se que tanto o seu Sim como o do seu esposo, devem refletir o “Fiat” de Maria... o Sim que Ela deu ao Anúncio alegre do Anjo... até o Sim aos pés da Cruz: “faça-se em mim segundo Tua Palavra”.

Não é fácil para mim te explicar a amplitude da sua decisão e do que isso terá de conseqüência para sua vida em relação a Deus. Mas sei que o que o mundo está fazendo todos os dias e também sei como te motivam a ir contra seu corpo, sua natureza, sua família e a vontade de Deus. É exatamente igual ao demoníaco pensamento quem move tantas meninas a abortar, ela e as pessoas que a incentivam a tal crime, querem trazer o “ontem” de volta para ela, mas o “ontem” não existe mais: é preciso aceitar, mesmo com muita dor o “hoje”, a realidade da gravidez, e aceitando-a buscar a melhor solução.

Você está querendo “acabar com um problema”, mas está comprando outros problemas bem maiores que a sua preocupação imediata está te cegando ver, e então a esterilização parece ser a melhor decisão. Eu te entendo. Sei que com 4 filhos pequenos, na situação que está nosso país – e talvez somada às dificuldades financeiras de vocês – você já é uma heroína, uma mulher virtuosa. Mas como católica, sua futura decisão deve ter como critério a sua salvação eterna, a do seu esposo, e de sua família, o bem da Igreja e a Glória de Deus; jamais o comodismo que os governos ateus e uma sociedade doente facilita e estimula. A solução se chama amor, e neste caso específico, a vivência do amor pela castidade conjugal.

Como disse, não será fácil te explicar, mas tentarei. Que Nosso Senhor venha em meu auxilio para que estas palavras sejam esclarecedoras para você, numa fase que tenho certeza, é uma das mais delicadas para sua vida. Quero e queremos te AJUDAR, mas ajudar na verdade e não na mentira. A esterilização é uma “mentira” na linguagem do amor que você prometeu ao seu esposo. Por isso, vou tentar dizer começando por te relembrar o que o sacerdote, em nome de Deus, te perguntou naquele solene dia do casamento e a sua resposta:

Sac.: É de vossa livre vontade e de todo o coração que pretendeis fazê-lo?
Os noivos: É, sim.

Sac.: Vós que seguis o caminho do Matrimônio, estais decididos a amar-vos e a respeitar-vos, ao longo de toda a vossa vida?

Os noivos: Estou, sim.

Sac.: Estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja?

Os noivos: Estou, sim.

Receber amorosamente os filhos como dom de Deus... foi a promessa que você fez a Deus! E, quando um homem e uma mulher se casam, mesmo que infelizmente não saibam, eles tem uma missão que supera qualquer sonho e que, se eles tiverem consciência, podem iluminar com esta missão até a escuridão mais tenebrosa que estejam vivendo: você e seu esposo têm a missão de refletir para sua família, para a Igreja e para o mundo inteiro, o amor incondicional que Cristo viveu e vive pela Sua Esposa, a Igreja, relatada no capítulo 5 de Efésios. (Daqui a pouco, por favor, releia o capítulo 5 de Efésios). Aquilo que lemos parece abstrato demais à primeira vista, mas logo se torna “carne de nossa carne” e compreendemos a altíssima missão dos esposos, do casal cristão.

Você, ao se doar totalmente para seu esposo na relação conjugal, está de fato renovando a aliança de comunhão total e plena prometida no altar, e atualizando na sua carne unida à de seu esposo, o amor de Cristo. Por isso, as características do amor que você e seu esposo vivem não são escolhidas por vocês, mas primeiramente foram vividas na plenitude por Cristo, e ao qual vocês se comprometeram imitar desde o dia do seu casamento.

Estas características são 4, e a partir delas surgem todas as outras: É (deve ser!) um amor total, livre, fiel e aberto à vida. Sem estas qualidades seu amor é uma caricatura, uma ilusão, uma mentira, jamais refletirá a vocação que vocês estão chamados a partir do matrimônio, e nunca será autêntico. Lembre-se que a raiz de todo pecado é querer decidir “o bem e o mal” por si mesmo, sem ter em conta a ordem dada pelo Pai para nós! Não queira decidir as qualidades do seu amor pelo seu esposo, peça a Jesus e à Maria a graça de vê-las através da luz da fé e a firme decisão de vivê-las!

Irei comentar somente a última qualidade do amor esponsal – aberto à vida – já que as outras, apesar de serem profundas, se entende mais facilmente.

Estar aberto à vida é uma exigência do amor verdadeiro, como você mesmo disse no dia do seu casamento. Mas cuidado! Não confunda esta verdade com a má interpretação que muitos fazem ao pensar que isso significa que “em cada ato sexual vocês estão ‘obrigados’ a gerar filhos”! Aliás, nem se vocês quisessem não poderiam, pois Deus fez a mulher com um ciclo fértil-infértil, de modo que nós mulheres não somos férteis 30 dias ao mês!!! Isto é, não poderíamos ter bebês em cada e em todas as relações conjugais!

Então o que significa estar aberto à vida? Primeiro significa a intenção dos esposos de acolher a (nova) vida como fruto do seu amor. A vida que nasce é um dom de Deus e uma afirmação dos esposos que reconhecem que, dentro da sua vocação matrimonial está naturalmente a missão de gerar a vida, isto é, o de colaborar com Deus para “encher o céu”!

Então na prática, o ‘estar aberto à vida’ significa que os esposos não atuam como árbitros e donos da vida, impedindo por eles mesmos que a vida surja a partir da sua relação conjugal. Eles não são donos de seus corpos, como diz o Apostolo São Paulo, inspirado por Deus: o corpo é para o Senhor. Lembre-se que o corpo expressa toda a sua pessoa. Os casais ‘abertos à vida’ sabem que suas vidas e a vida daqueles que Deus lhes dá, é um dom precioso do qual prestarão contas. Na liberdade, o homem deve escolher entre a vida e a morte. Mas o o Senhor nos pede escolher a vida!

Então, como farão os esposos para que a linguagem de seus corpos na suas relações conjugais continuem refletindo a entrega total quando eles, por sérias razões, não podem ter filhos? Isto implica compreender desde já que a entrega total também é entrega da fertilidade da mulher ao homem e vice versa.  Rejeitar ou negar a fertilidade ao esposo ou à esposa é rejeitar a própria pessoa. Se eu entrego o meu corpo, mas não “todo ele”, não poderia dizer que sou “toda sua” para meu esposo e vice versa.

O amor conjugal não guarda nada, se doa completamente e por isso quando a mulher e/ou o marido decidem por si mesmos cortarem toda a sua fecundidade, estão se colocando acima de Deus, estão se colocando na posição de Eva e Adão de escolher o “bem e o mal”. Você está encontrando na esterilização um “bem”, pois senão nem pensaria nisso, mas este “bem” é, na verdade, totalmente contrário ao amor que você prometeu ao seu esposo, e absolutamente contrário ao plano de Deus.

Por isso, para que os casais que tenham sérias razões para não se engravidar, apesar de continuar abertos à vida e com sua atividade sexual, o casal aprende a viver a castidade conjugal, que se traduz na abstinência das relações sexuais quando vocês souberem que “estão férteis”. Isso implica que você use sua inteligência não para se fazer infértil para sempre, e sim para conhecer o seu corpo, o seu ciclo, e praticar a virtude da castidade com seu esposo, aprendendo a amá-lo até “o fim”. Isto é, vivendo a castidade conjugal, você não estará esterilizando o ato conjugal - unitivo e procreativo por natureza - por suas próprias mãos, e sim, vivendo o seu amor santamente, e Deus te abençoará com todas as graças que lhes são necessárias, pois Ele é o Deus fiel!

Quem namorou na castidade e na pureza vive a abstinência de maneira natural. O casal que não namorou castamente, deve aprender a fazê-lo. Os inúmeros testemunhos dos casais que vivem o método natural (não existe somente o da tabelinha! A ciência já avançou e agora os métodos naturais tem eficácia de 99.8%, igual às pílulas mas sem nenhuma das conseqüências negativas que geram as pílulas!) comprovam que o matrimônio só tende a ganhar com este modelo de castidade. Ele permite o sexo mas exige o planejamento no amor e no respeito, pois a comunhão conjugal se torna muito mais profunda pois o método exige que os esposos tenham maior dialogo entre si, e levados a evitar o sexo em certos períodos, mas por amor sincero, o carinho e a compreensão se tornam muito maiores. Prove e verás!!!

Com este texto, o desejo é que você pudesse refletir, à luz da sua fé (o maior dom que você tem), qual será sua resposta frente à Deus neste particular assunto. Ele te pede para não te não tornar estéril e você deve responder com plena consciência a Ele em primeiro lugar, sobre este seu ato e depois ao seu esposo.

Mais uma vez te digo com todo o carinho e com toda a verdade da nossa fé: você não é dona do seu corpo; o seu corpo junto com sua alma está chamado à um dom total de si mesmo que exige também a entrega da fecundidade ao seu esposo. Você estaria mentindo com o seu corpo (esterilizado) o que você diz com sua boca: que o ama!

Viver em comunhão plena com a vontade de Deus te dará a força, a paz, e a serenidade que você precisa. Confie Nele e diga o seu Sim!

Que Maria, Mãe nossa, Mãe de Jesus, te guie e te ajude a ver a verdadeira saída nesta fase delicada de sua vida. Que Ela te dê a paz de consciência que só temos quando fazemos a vontade de Deus, e que São José, protetor da Sagrada Família – que também passou por MUITOS momentos dificílimos - te ajude a encontrar consolo, sabedoria e fortaleza neste momento para seguir a vontade do Pai e ser, hoje e sempre, uma santa mulher, mãe e esposa. Amém.

Um abraço de sua irmã e conte com minhas orações,
Julie Maria

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