Meu filho seria um “teledependente”? E eu? Ricardo Romeo Ramírez S. (psicólogo)

A televisão pode ser uma força poderosa na vida das crianças, ou pode se transformar em uma das drogas mais nocivas. Através da TV, é possível admirar extraordinárias reportagens e documentários sobre temas variados, alguns de grande sensibilidade e conteúdo artístico, mas também seu uso indiscriminado nos pode levar a um emburrecimento, pois deixamos de utilizar faculdades tão importantes como a imaginação e o pensamento criativo, nos leva a fugir da realidade e a ver com indiferença a violência, os assassinatos e as violações, a colocar em um trono o dinheiro e sua acumulação, além de nos levar a uma pobreza intelectual, ao desânimo e à falta de entusiasmo.

A televisão é inevitável. Todos a utilizamos! Quando proibimos que nossos filhos a vejam, é muito fácil que se sintam, ou os façam sentir-se, como inadaptados sociais. Por isso, é preciso que os pais saibam o que fazer com a televisão, para depois ensinar aos filhos como tirar proveito deste meio de comunicação.

Se a televisão é capaz de até mesmo distorcer, dirigir e motivar o comportamento dos adultos, de condicionar suas opiniões e formas de comportamento, o que não fará (e de uma forma mais intensa) com nossos filhos, que ainda não possuem os mecanismos necessários para julgar nem para opinar. Somos nós que devemos apelar à sua grande capacidade de aprendizagem para que, pouco a pouco, vão adquirindo estas habilidades.

Quase todas as crianças vêem várias horas de televisão por dia, e quando terminarem o primeiro grau, terão passado mais tempo diante da TV, do que na sala de aula. Ficar horas vendo televisão pode aumentar a tendência à obesidade, promover uma inclinação à violência e receber mensagens irreais sobre drogas, álcool, sexualidade e relações.

Existem outras perguntas que podem ajudar a detectar se uma família pode ser “teledependente”. Convido-os a responder com toda sinceridade:

Comem e jantam com a televisão ligada?. Algum membro da família, ao chegar da escola ou do trabalho, o primeiro que faz é ligar o televisor?. Durante os fins de semana, quanto tempo passam fora de casa e quanto tempo dentro de um quarto no qual a televisão é a principal protagonista?. Quantos televisores têm em seu lar?.

As resposta a estas perguntas indicarão até que ponto você e sua família são dependentes da televisão.

As seguintes sugestões para os pais, os professores, as babás, e todas aquelas pessoas que cuidam de uma ou de várias crianças, ajudarão a tirar o máximo proveito e a sofrer menos as conseqüências prejudiciais da televisão.

Estabeleça limites. Observe a quantidade de horas que seus filhos passam diante da televisão e não tenha medo de reduzi-la. Recomenda-se que os pais limitem o uso da TV a 1 ou 2 horas diárias.

Planeje o que vêem com antecipação. Ajude as crianças a se aproximar da televisão como se fosse do cinema, a escolher entre a ampla gama de possibilidades aquilo que mais satisfaça suas necessidades. Ligue a televisão no programa selecionado e, uma vez concluído, desligue-o e analise o programa quando terminar de vê-lo.

Assista-o com seus filhos, interprete e fale sobre o programa que viram, esclareça o que não for verdadeiro, analisando as diferenças entre fazer, acreditar e a vida real.

Fale com as crianças sobre a violência mostrada na TV. Descreva como a violência fere e analise como as personagens da televisão poderiam resolver seus problemas sem violência.

Seja um bom modelo a imitar, porque as crianças freqüentemente seguem o exemplo de seus pais, examine seus próprios costumes de ver televisão e ajude seus filhos a formar, desde cedo, bons hábitos na vida.
 
Não use a televisão como babá. Dê alternativas às crianças na forma de atividades fora e dentro de casa, tais como passeios, jogos, esportes, passatempos, leituras, tarefas e atividades familiares diversas.

Oponha-se às propagandas. Ajude suas crianças a serem consumidores inteligentes, ensinando-lhes a reconhecer os limites da publicidade. Converse sobre a comida anunciada na TV, sobre os efeitos que ela pode produzir e sua possível pouca qualidade. Além disso, novamente, lembre-se que você é um modelo a ser imitado e se não aplicar para si mesmo estas recomendações, dificilmente seus filhos o farão.
 
Complemente a televisão com novas tecnologias. Use um videocassete ou aparelho de DVD para assistir a programas e filmes que interessem a toda a família. Utilize fitas educativas para aumentar o aprendizado das crianças.

Estas são somente algumas sugestões, mas, com certeza, você já escutou ou encontrou outras dicas que têm dado resultado positivo para você ou para seus amigos.