Seja ridáculo! O catolicismo público foi para a “cucuia”?

Por: Patrícia Medina - fundadora da Obra Oblata Christus Sacerdos

Cena 1: Uma família almoça num grande shopping da cidade num domingo. Após terem colocado suas bandejas nas mesinhas, a numerosa família faz o Sinal da Cruz e, mãos em prece, reza antes de iniciar a refeição. A família atrai não poucos olhares e cochichos.

Cena 2: Um médico ginecologista, ao ficar sabendo da 4a gravidez de uma mulher, sugere uma laqueadura. Ela lhe responde “Não, sou católica”. O médico, espantado, diz: “e daí, eu também!”.

Cena 3: Num curso de noivos aqui em Curitiba, um casal orgulhosamente se declara “católico-espírita”. E acredita piamente que não só isso é possível, como também correto e ideal!

Cena 4: Ao entrar num estacionamento no centro da cidade, o manobrista, vendo uma mulher vestida com uma saia longa, pergunta: “A senhora é de que igreja?”. A senhora em questão era católica.

O que estas cenas tem em comum, além de serem reais? A dificuldade cada vez maior de respirarmos e vivermos em ambiente católico, ou seja, de vivermos uma vida orientada pelos valores e práticas católicas. Vamos e venhamos: não vivemos mais num mundo orientado pelos valores cristãos. Estamos carecas de saber! Mas o que estamos fazendo para mudar isso? Temo que nós, católicos, leigos, religiosos, padres, todos estejamos nos tornando conformistas!

E por que estamos nos conformando? Porque é mais fícil! Vejam bem! “Comprar o pacote” do catolicismo hoje em dia é ser ridáculo! Sinal da Cruz em público? Que ridáculo! Muitos filhos? Que ignorância! Rezar o terço no ônibus? Que patético! Afirmar e defender a teologia moral da Igreja Católica? Que “pouco inclusivo”! Ajoelhar-se? Que pouco digno! O católico que não incomoda é aquele que não defende sua Igreja nem se deixa afetar interna e externamente pelas exigências do Evangelho. É o católico reprimido, escondido, disfarçado.

E qual é a solução? Chamo a solução de “Martírio do ridáculo”. É martírio porque envolve uma defesa da fé. Uma defesa plena, consciente, sem vergonha “de estar no mundo sem ser do mundo”. É um martírio “do ridáculo” porque, ao expressar externamente todas as conseqüências da minha piedade, o mundo me julga e assim, por causa do meu orgulho, eu sofro. Mas esse sofrimento é bom e desejável!

O martírio do ridáculo, assim como o martírio de sangue, nos leva a Deus. Só que nos mata um pouco a cada dia, além de matar o nosso orgulho. Assim, porque assistir (e depois comentar) novelas que desgraçam o catolicismo e a vida religiosa? Porque calar quando tantas almas podem se beneficiar pela sua defesa pública da fé? Porque admitir uma moralidade permissiva aos filhos adolescentes só pelo medo de “ser careta”? Porque falar de gnomos, signos, reencarnações e todo tipo de tolice é aceitível e respeitado, mas falar do céu é “ingenuidade piedosa”? Por quê? Porque é mais fícil? Ora, pelo que me consta, o fácil não leva ao céu. A cruz, no entanto, leva!

Católicos! Sejamos ridáculos! Padres, sejam muito ridáculos! Religiosos, sejam ridáculos! Os santos foram ridáculos aos olhos do mundo, mas sábios aos olhos de Deus! Quando perdermos o medo do ridáculo, começaremos a amar a Deus com mais coragem e menos orgulho.

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