Amor e Sexo Por Fabrício L. Ribeiro

Tornou-se infelizmente muito comum na nossa cultura ver o amor e o sexo como duas coisas separadas, distintas, que não necessariamente precisam estar relacionadas.

Dissociar o prazer e “as coisas boas da vida” das responsabilidades, percalços e sacrifícios da vida familiar, e do ambiente de amor e de responsabilidade no qual o sexo estaria corretamente inserido, conforme os planos de Deus quando criou o homem e a mulher (cf. Gn 1,27s; 2,23s). Eis o fruto da revolução sexual.

Trata-se de uma estratégia para destruir a família e o matrimônio. E tal estratégia não é velada, escondida. Nossa “contra-cultura” já chegou num estágio tão repulsivo que essa cisão entre o amor e o sexo já é levantada como bandeira, e até cantada em música. Leia a letra abaixo, de uma música de Rita Lee, Roberto de Carvalho e Arnaldo Jabor:

AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)
Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval

Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois

Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora

O jogo psicológico presente nos detalhes líricos é tão sutil que, às vezes, pode passar desapercebido para quem ouve a música no rádio do carro enquanto dirige, ou pra quem a ouve no som ambiente de um supermercado enquanto escolhe frutas ou a marca do sabão em pó. Todos os versos são flagrantes tentativas de se criar uma cisão entre o amor e o sexo que não existem, ou pelo menos não deveriam existir. Por exemplo: “amor é um livro, sexo é esporte” compõe uma tentativa flagrante de incutir na mente do ouvinte um falso dualismo. Como se o amor fosse uma coisa culta, para poucos; enquanto que o sexo é apenas um esporte, algo que pode e deve ser praticado por todos livremente.

Outro flagrante: “Amor sem sexo é amizade, sexo sem amor é vontade”. Posso até fazer vistas grossas para a pobreza do conceito de amor dos poetas em acreditar que “amor sem sexo seja amizade”. Mas dizer que “sexo sem amor é vontade”? Não, não é vontade. É impulso animal. Aqui são os poetas é que fazem vistas grossas, bem ao gosto da cultura da revolução sexual, de que alguém que se entrega a outra pessoa sem que ambas se amem, está consentindo que seu corpo seja usado por puro e simples prazer. Abre-se mão da sua dignidade de pessoa, transformando-se num objeto, numa coisa qualquer. Não é preciso nem dizer que essas pessoas, tão irresponsáveis, são as culpadas por tantas crianças sem pais, sem o amor de uma família, por tantos abortos, tanta desintegração e desestrutura familiar, enfim, tanta infelicidade!

Privar o ato sexual de amor é fácil. Privá-lo de suas conseqüências naturais (como um filho), é bem mais complicado, mesmo com tantos recursos imorais, como pílulas, camisinha e outros contraceptivos. Isso sem falar nas feridas que isso causa, aos poucos, no fundo da alma. Feridas que geralmente só vão ser sentidas ou reveladas quando já é bem tarde.

E pra finalizar: “sexo vem dos outros e vai embora, amor vem de nós e demora”. Eis aqui um flagrante incentivo à promiscuidade sexual. Supõe-se e encara-se com naturalidade que o efeito do sexo é passageiro, enquanto que o sexo, nos planos de Deus, deveria ser estimulado como verdadeira expressão de amor, de entrega total e eterna entre duas pessoas que se amam e que querem viver juntas, uma para a outra, para sempre. Alguém aí pensou em casamento? Eis aí a chave…

Tristemente, esse é apenas um dos muitos exemplos de ataque frontal da nossa “cultura” contra os valores da família e da vida. É preciso estar sempre de olhos bem abertos, pra que não se caia nas armadilhas que o demônio insere na TV, na música, na poesia, enfim, em toda a cultura que nos circunda, a fim de turvar nossa visão, para que enxerguemos mal o verdadeiro Bem que há no amor, na família, e no Matrimônio bem vivido.

Paz e Bem

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