Um projeto de vida Martha Morales

A sexualidade exige uma eleição pessoal, inteligente e livre.

Viver de maneira realmente humana implica colocar algumas questões-chave: “O que é importante para mim?”; “Qual é o sentido do que faço cada dia?”; “De onde venho e para onde vou?”; “No final, o que acontecerá?”. As respostas a estas e outras perguntas definem o rumo de uma pessoa. Todas as respostas possíveis têm um denominador comum. Pascal dizia que o ser humano está feito para ser feliz e não pode deixar de ser, ou seja, todo ser humano persegue acima de tudo a felicidade. No entanto, não todo mundo é feliz. Por quê? Porque não consegue identificar em que consiste a felicidade e como chegar a ela. Uma das pistas para alcançá-la tem a ver com a sexualidade e disso trata este documento. A felicidade interpela à sexualidade. A sexualidade afeta todo o ser, toda a vida de uma pessoa, porque o ser humano é sexuado. A sexualidade é uma dimensão intrínseca da pessoa humana, não é possível prescindir da sexualidade.

Por outro lado, a própria experiência mostra como o modo de viver a sexualidade afeta todo o ser e o agir. A forma de assumir a sexualidade afeta o corpo, as emoções, os sentimentos mais íntimos, as relações interpessoais, a maneira de ver a vida, o mundo, enfim, a felicidade. Sexualidade e felicidade estão intimamente relacionadas.

• Felicidade e sexualidade

A felicidade que todos desejamos é completa e para sempre. Visto assim, parece difícil, é tanto que pensamos que não existe nesta vida. Exato. Aliás, existe como um processo construtivo, como conquista. A felicidade existe completa e para sempre depois desta vida. É Deus. Felicidade não é prazer, é muito mais. Quando somos sinceros e não aceitamos o auto-engano, é preciso admitir que essa felicidade intuída, e a qual todos os homens aspiramos, é mais do que prazer.

Pois bem, esse tipo de felicidade tem a ver com a sexualidade, quer queira, quer não. Viver a sexualidade de uma maneira ou de outra possibilita ou dificulta a felicidade. Existem maneiras de viver a sexualidade que proporcionam prazer e satisfações imediatas, mas que bloqueiam a felicidade. Outras, ao contrário, supõem esforço e sacrifício, mas tornam possível esse anelo de felicidade. Viver bem a sexualidade é um prerrequisito para a felicidade.

• Escolha pessoal X Tendência automática

O ser humano assume a sexualidade sem tê-la pensado, sem realizar uma decisão baseada na reflexão. De fato, a sociedade leva o ser humano, de uma maneira automática, a viver a sexualidade aprendendo por osmose os modos sociais. Ao deixar a infância, o ser humano incorpora à sua vida a função sexual tal como a percebe ao seu redor. E que mensagem implícita recebemos sobre a sexualidade, hoje em dia? Em alguns ambientes, a mensagem é “goze com precaução, faça o que quiser, mas evite a gravidez e a AIDS”.

É o padrão mental imperante no meio ambiente. O problema surge quando os resultados não são os esperados: a AIDS continua progredindo e cada vez existem mais casos de gravidez juvenil não desejada. Com um pouco mais de perspectiva, vê-se também que a infidelidade matrimonial aumenta e que a estabilidade conjugal cambaleia.

As soluções dos Estados e organismos internacionais são as mesmas: mais camisinhas, a pílula do dia seguinte e muito dinheiro para as pessoas com AIDS. Ninguém quer enfrentar o tema de verdade. Esquecem a famosa frase de Einstein: “Nada mais estúpido do que esperar um resultado distinto, fazendo o que sempre foi feito”.

Um mínimo de inteligência e responsabilidade aconselha que todos os seres humanos considerem seriamente a sexualidade: cada indivíduo deve tomar uma decisão pessoal. As pesquisas, as modas e a maioria. Uma percepção difundida no tema da sexualidade, da mesma forma que em muitos outros, consiste em aceitar como válido o que a maioria das pessoas pensa ou faz. Para outros, a verdade estaria nas pesquisas ou na opinião dos sexologistas.

A respeito, convém levar em conta que as pesquisas são facilmente manipuláveis, pois tudo depende do tipo de pessoas que são entrevistadas e da maneira em que são feitas.

Independentemente desta consideração, a verdade das coisas, o descobrimento da realidade, não se faz com estatísticas, porque – caso contrário – qualquer atrocidade poderia ser justificada. Por exemplo, “como muita gente é desonesta, o bom é que todos sejamos desonestos”. Alcança-se a verdade quando se descobre a realidade das coisas, neste caso, “o porquê” e “para que” da sexualidade humana.

Este é o desafio de qualquer pessoa: pensar e decidir por si mesmo. Antes de decidir, conhecer e pensar. Pensar bem supõe colocar questões profundas: “Qual seria a forma mais humana de viver a sexualidade, a mais digna do ser humano, a que torna possível a felicidade?”. Trata-se de um desafio para a inteligência. Depois, o ser humano está obrigado a tomar uma decisão, assumir uma livre escolha, se comprometer com uma postura. É um desafio da vontade. Esse é objetivo destas páginas, proporcionar elementos para formar o critério sobre a própria sexualidade e ajudar a tomar a decisão mais plenamente humana.