Sobriedade, a virtude prática na vida "A reconstrução do novo homem"
Por: Dado Moura
Muitos de nós já ouvimos alguém dizer, mesmo em tom de
brincadeira, que a sobriedade é uma escolha. Se a brincadeira for levada ao pé
da letra, a pessoa escolhe, conscientemente, por não querer ter atitudes e
pensamentos centrados e equilibrados, pelo menos durante um período de tempo.
Ironicamente, outras pessoas enfrentam grandes dificuldades em viver na própria
sobriedade. São pessoas que se veem amarradas a algum tipo de vício. Elas se
sentem envolvidas por uma necessidade compulsiva de fumar, beber ou se drogar.
Sem forças para lutar contra um desejo nocivo, essas pessoas se intoxicam até
perderem os sentidos básicos que as diferenciam de um ser irracional. Para
essas pessoas, optar pela sobriedade é mais que uma questão de honra, é um
motivo para conquistar a vida.
Eleja este canal de podcast
A pessoa envolvida na dependência química vive também outras
dificuldades que refletem em seu caráter. Sua autoestima praticamente
desaparece. Em muitas ocasiões, até mesmo os cuidados com sua hiegiene pessoal
fica deficitária. É preocupante constatar o quão fácil é para alguém se tornar
vítima de um vício, mesmo sendo uma situação tão delicada de se resolver.
Às vezes, a pessoa, fingindo não ter problemas, foge de sua
própria realidade, desviando-se das responsabilidades e afogando o seu próprio
estado de lucidez. Outras, desejando somente esquecer de seus problemas
domésticos ou simplesmente querendo se tornar mais comunicativo numa roda de
amigos, começam a fazer uso de drogas para provocar a sensação de liberdade ou
extroversão. Elas preferem viver num mundo em que os efeitos alucinógenos da
bebida, ou de qualquer outra droga, as fazem acreditar que seus sofrimentos são
menores.
Ao voltar da sua “viagem psicodélica”, a pessoa frustra-se
mais uma vez quando percebe que nada foi mudado em seu mundo real. Desta
maneira, a vítima se sentirá cada vez mais tentada a lançar mão dos artifícios
que a conduzem para uma dependência cada vez mais crônica. Como num círculo
vicioso, a pessoa voltará a se intoxicar.
Saciar o desejo da sua dependência é a sua prioridade, mesmo
que para isso tenha que despojar de tudo aquilo que lhe é precioso.
Como resultado, vamos testemunhar, além da deterioração de
sua saúde, também as crises em seus relacionamentos. Casamentos que são
destruídos, famílias fragilizadas, filhos com problemas psicológicos, entre
muitos outros desequilíbrios causados pelo vício.
Sabemos o quanto é difícil a convivência com alguém que vive
às voltas por um “trago”. Numa família, todos sofrem; tanto o viciado – seja no
álcool ou na dependência química –, quanto os demais membros da casa. Pessoas
que trabalham na recuperação de outras, com problemas de envolvimento com
qualquer tipo de droga licita ou ilícita, dizem que somente é possível a sua
recuperação quando a própria pessoa manifesta o desejo de sair dessa deplorável
situação. Na maioria das vezes, é praticamente impossível alguém conseguir a
cura por si própria. A ajuda profissional e o apoio de familiares é fundamental
neste lento processo de recuperação que se inicará a partir do resgate da sua
autoestima e a reconstrução do novo homem, tornando-o capaz de dominar a si próprio.
Somente por meio do resgate de suas virtudes a pessoa
deixará de ser vítima daquelas coisas que a leva a renunciar o próprio uso da
razão. Esta virtude é chamada de “sobriedade”; ela nos indica os limites que
não devemos ultrapassar. Do contrário, se desrespeitarmos essas regras, já não
seremos mais capazes de dominar a nós mesmos e seremos dragados por outras
paixões.
Saiba mais sobre a Pastoral da Sobriedade
Um abraço,
Dado Moura
contato@dadomoura.com
Dado Moura é membro aliança da Comunidade Canção Nova e
trabalha atualmente na Fundação João Paulo II para o Portal Canção Nova, como
articulista.
Para ouvir comentários de outros artigos, acesse: podcast
Relacionamentos