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Testemunhas da Ressurreiçao
Por: Rosario Alfaro
Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado. E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro? Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande. Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscáis Jesús de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia. Lá o vereis como vos disse.
São Marcos, 16:1-7
Quem é testemunha da Ressurreição? Temos feito todo um processo desde a Quaresma e esta Semana Santa para chegar à Páscoa e poder ser testemunhas da Ressurreição. Quem é então uma testemunha? Quem pode dizer que tem visto, cheirado, tocado, gostado ou escutado a Ressurreição?
Antes de contestar esta pergunta, vejamos a quem o Evangelho apresenta como testemunhas. Lemos no Evangelho de São Marcos que as primeiras em serem testemunhas da Ressurreição do Senhor, são três mulheres: Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé. É curioso, estas mulheres são as últimas em deixar o calvário e as primeiras em chegar ao sepulcro. As que foram testemunhas da cruz, vão ser testemunhas da Ressurreição.
Elas não iam procurando ver Jesus ressuscitado. Iam ao sepulcro levando perfumes para embalsamar o corpo do Senhor, esperavam encontrar um cadáver, que além estava ferido, cheirando mal, com sangue. A tarefa que iam realizar não era precisamente a mais alentadora, não era uma tarefa para começar com o pé direito a semana.
Iam de madrugada, ao amanhecer, quando ainda estava tudo escuro. E claro que esse dia as coisas estavam escuras: Jesus tinha morrido, os discípulos tinham fugido (Pedro o negou, Judas o traiu, todos saíram correndo), Pilatos tinha se lavado as mãos, os romanos tinham executado uma sentencia que não entendiam, Herodes tinha sido débil (como de costume) e o Conselho (Sanhedrin) tinha confundido ao Filho de Deus com um falso profeta. Mais escuro esse dia não podia estar!
Além do mais, estas mulheres levavam uma preocupação no coração: Quem ia mover a pedra da entrada? A pedra! Pensemos na pedra, compartamos um pouco a preocupação destas mulheres em relação à pedra.
A pedra do sepulcro. Era uma pedra ENORME, cobria a entrada da cova, mexê-la seria difícil para três mulheres. Além, nessa hora do dia, seria pouco provável que encontrassem alguém que lhes ajudara a mexê-la.
Quem moveria a pedra?
Vamos imaginar que era o que elas pensavam nesse dia um pouco mais cedo. Lembremos que estão com o coração entristecido pela morte de seu mestre, com dor pela covardia dos discípulos, desiludidas de seu sistema político, mais irritadas que nunca com os romanos, pensando na sua casa, se seria bom ou não, ir para embalsamar um morto e além... Ter que mover a pedra da entrada.
Bom, qualquer um de nós, teríamos ficado em casa dormindo.
“Vamos depois quando houver alguém que possa mexer a pedra”, diria nossa melhor lógica. “Ou melhor ainda, porque não vamos em 20 anos quando já o corpo não esteja cheirando mal”, “deixemos isso para outro dia com mais calma”. E se aplicarmos uma lógica melhor: “Porque gastar nosso perfume num cadáver?”
Não diríamos isso? Não dizemos isso?
Às vezes sim.
Que pedra tu tens que mover neste momento da tua vida? Que nome tem a pedra do sepulcro do teu coração? Ódio. Rancor. Culpa. Isolamento. Depressão. Coloca o nome que quiser. Mover uma pedra que tu sabes que tem detrás um morto, não é uma tarefa fácil. Movê-la e laborioso.
Atrás de nosso ódio, culpa, isolamento, depressão ou de qualquer pedra que nos aflita, possivelmente também há um morto. Talvez também tenha algo morto, ferido, maltratado, fedorento, que esta apodrecendo. Quando um tem ódio, o mais provável é que alguém tenha nos ferido, machucado, matado em vida, fazendo com que a tarefa de embalsamar ao morto não seja fácil, mais quando o morto é algo dentro de nós mesmos.
Não obstante, para estas mulheres, todos estes pensamentos não as detiveram e avançam, caminham dirigindo seus passos em direção ao sepulcro. Levando em suas mãos frascos de perfume; é dizer, levam nas suas mãos algo bom, estão indo para embalsamar ao morto, não para seguir ferindo-o, vão levar ao morto fétido um bom cheiro, levam nas suas mãos algo que é considerado valioso e bom e recebem uma grande surpresa... A pedra esta movida!
Quem moveu a pedra?
Jesus precisava mover a pedra para sair? Não, não era necessário. Ressuscitado podia sair ou entrar em qualquer parte (senão perguntem aos discípulos, que se isolaram no meio de pedras e lodo por medrosos e mesmo assim Jesus chegou ao meio deles). A pedra poderia ter ficado no seu lugar, mas foi movida.
Não foi movida para que Jesus saísse. Foi movida para que as mulheres acreditassem. Para que elas pudessem entrar ao sepulcro, ver, tocar, experimentar, escutar e ser testemunhas.
Que foi o que fizeram estas mulheres? O que as fez especiais? Pois na realidade não fizeram nada espetacular, e não são mais santas que qualquer um de nós. O que fizeram foi que começaram avançar. Caminharam. Todavia à noite, ainda com duvidas, ainda com temor foram ao sepulcro, não para lembrar e ter mais rancor e ressentimento, elas iam colocar perfume a Jesus, embalsamar seu corpo, fazer algo bom com seu cadáver. Levar perfume a um morto pode parecer um desperdício. Não pensamos assim? Para que ir aos nossos sepulcros, não tem caso, e muito menos querer levar algo bom ali, se todo está apodrecendo. Nós, muitas vezes, visitamos nossos sepulcros, mas não precisamente para levar perfume, senão para nos machucar mais, revisar nosso morto e nos sentir pior que antes. Porque muitas vezes vamos ver nossos cadáveres com as mãos vazias, sem um bom perfume na Mao, e se o que procuramos é não sair com um mal cheiro, temos que levar um bom frasco de perfume.
Essa é a diferença com estas mulheres. Mas se as imitamos, esta Páscoa poderia ser distinta, pode não ser uma mais.
Se não levarmos nosso perfume vamos ver a Páscoa como todos os outros anos, a mesma liturgia longa, a mais longa de todas, para muitos a mais tediosa e cansada. O mesmo ritual religioso de todos os anos.
Oxalá e esta vez seja diferente. O que a pode fazer distinta? Imitar a estas mulheres:
Número um: começa a avançar,
Número dois: traz teu perfume, leva o melhor de ti a tua dor pessoal, aprende a ser menos duro contigo, com tua história, com teu passado.
Número três: permite a Jesus mover tua pedra. Esta Páscoa pode ser distinta se deixas que Jesus Ressuscitado te acompanhe no processo de ir tirando as pedras de teus sepulcros. Não é uma tarefa que tenhas que fazer sozinho, deixa-te acompanhar.
Esta Páscoa 2009 pode ser a Páscoa aonde dás o primeiro passo para começar a avançar, todavia à noite mais escura, ainda quando penses que Deus tem te abandonado, que todos tem te traído, que a crise é horrível, e que não encontras saída... Podes dar um passo.
Vamos imitar estas mulheres e vamos avançar, levemos nosso perfume, caminhemos em direção ao sepulcro. Talvez encontremos a pedra movida e o túmulo vazio.
Porque Jesus, todavia o dia de hoje está disposto a mover a pedra de qualquer sepulcro? Moveu a pedra de Lázaro, moveu a sua própria pedra, então pode mover a tua e a minha.
A mensagem desta Páscoa é: permite que Jesus caminhe contigo e te leve a teus sepulcros, permite que Ele mova as pedras e que te faça sua testemunha. Tu só caminha, não importa que seja noite, leva nas tuas mãos o melhor de ti, tua essência, teu perfume.
Deixa que Jesus caminhe junto a ti e te ajude a vencer a culpa, o medo, a dor, a depressão, o que seja que tenhas. Que nesta Páscoa, a testemunha principal da Ressurreição sejas tu, que possas descobrir que Jesus está vivo, permite que Ele te ajude a encontrar vida aonde só há morte. Não porque mudem as coisas, o calvário não foi um sonho, foi real, e a Ressurreição não tiro as feridas de Jesus, provavelmente no céu possamos vê-lo com um corpo ainda cheio de cicatrizes. Igualmente em nós, não se trata de que Jesus tire nossa cruz, nem que nos dispense do calvário, senão que nos ensine a ver de uma maneira distinta aquilo que mais machuca nosso coração. A cicatriz vai ficar, mas a dor se irá. Nossa atitude ante a dor nos redime.
Lembras? As últimas pessoas em deixar o calvário são as primeiras em chegar à Ressurreição. Se também tens estado no calvário, se este momento de tua vida é uma noite escura, se tens duvidas, incerteza e medo; tens as qualidades para começar a avançar. Tens todo o que se precisa para ser testemunha. Seguro também podes descobrir um frasco de perfume, pega-lo, ainda de noite, ainda com duvidas, com temor, pega-lo e levá-lo contigo.
Permite a Jesus ser teu mestre, deixá-lo que te ensine a amar, confiar, acreditar, viver... Se deixares que Ele te ensine o que a Ressurreição significa, poderás ser uma testemunha que pode dizer: Eu creio!
Eu creio que posso perdoar.
Eu creio que posso me entregar mais uma vez.
Eu creio que posso me sentir bem comigo mesmo.
Eu creio que posso me sentir pleno.
Eu creio que posso amar.
Eu creio que posso ser discípulo de Jesus.
E se te atreves a viver este processo, provavelmente apesar da tua dor e de tua angustia, de teus medos e temores, quando chegues a procurar teus mortos poderás ver uma pedra movida, e a um anjo dentro do túmulo te dizer: “Não busques mortos, Jesus tem ressuscitado, para te dar vida, e vida em abundancia”.
E se escutas mais atentamente também poderás ouvir a Jesus te dizer: “Eu acredito em ti, Eu creio que te fiz para vida, para que sejas pleno... para que sejas minha testemunha!”
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Cuaresma 2006 (Articulos)
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