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Por: Nancy Escalante
A virgindade precisa da presença do Deus vivo no coração consagrado.
Costumamos escutar e até mesmo falar do valor da virgindade, mas – em algumas ocasiões – muitos temos um conceito limitado sobre o que significa e implica em sua totalidade o conceito de virgindade.
Por esta razão, considero necessário mencionar que a VIRGINDADE significa pleno consentimento ao pleno domínio de Deus, à plena e exclusiva presença do Senhor. Portanto, é somente o próprio Deus o mistério final e a explicação total da virgindade (1).
É assim como, apesar da natureza complementar do homem e da mulher, quando Deus verdadeiramente vive em um coração virgem, a necessidade de complementaridade homem/mulher deixa de existir, já que o coração está ocupado e realizado plenamente.
Neste sentido, quando Deus não ocupa plenamente um coração consagrado, aí nasce a necessidade de complementaridade na pessoa consagrada, isto porque a virgindade sem Deus se torna um absurdo para a pessoa humana, perde sua conotação espiritual e sobrenatural, transformando-se em uma vida de repressão, na qual a virgindade e a castidade – ao perder sua razão de ser – se tornam uma fonte de instabilidade emocional, mais que uma fonte de paz e de encontro com o Deus vivo. Somente Deus é capaz de despertar a maior chama de amor e de harmonia no coração de uma pessoa solitíria e silenciosa. É aqui onde Deus realiza o dom da liberdade na vida consagrada, é essa a razão pela qual um coração consagrado – no qual habita a presença verdadeira de Deus – não depende de nenhum ser humano, sendo somente assim que o coração virgem e casto pode amar profundamente, entregar-se por completo e permanecer em Deus (2).
Portanto, se Deus é o mistério e a explicação da virgindade, podemos dizer que, quanto mais virgindade e castidade, mais capacidade de experimentar a presença viva de Deus e, portanto, maior a capacidade de amar universalmente. De tal maneira que a virgindade e a castidade são também plenitude e liberdade.
“Maria é uma profunda solidão – virgindade – povoada completamente por seu Senhor Deus. Deus habita seu coração completamente. Essa figura humana que aparece nos Evangelhos tão plena de maturidade e de paz, atenta e serviçal com as pessoas, é o fruto da virgindade e da castidade vivida perfeitamente”.
Bibliografia
(1) Cfr. Larra±aga, Ignacio. “O Silêncio de Maria”, Edições Paulinas, Bogotí, 1990, pp.99-101, pp.214
(2) Ibidem
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